Pai Natal
26/12/2010 ás 13:20 | Na categoria Não classificado | 1 ComentárioTantas histórias giram em torno do Pai Natal e da forma como todos os anos, no seu trenó, ele distribui prendas nas casas das crianças em todo o mundo. Mas como surgiu o Pai Natal? De onde veio, afinal, esta figura de um homem de barbas brancas e fato vermelho? É essa a história que irei contar.
Há mais ou menos duzentos anos, numa vila, existia um menino que não recebia prendas no natal. A sua família era muito pobre e, por isso, não festejavam o natal. Juntamente com ele viviam os seus pais e seis irmãos. O menino era o mais novo de sete filhos.
Porém, um natal, a mãe do menino teve uma ideia, enquanto estavam os dois sozinhos em casa:
- Filho, o que gostavas de receber este natal? Nós não temos muito dinheiro mas eu queria, nem que fosse apenas uma vez, oferecer prendas a cada um de vocês.
O menino escutou a mãe em silêncio e depois caminhou em direcção à mãe, agarrou-a pela mão e puxou-a para junto da janela embaciada pelo frio. O menino ficou a olhar para o exterior e a mãe seguiu-lhe o olhar, ainda sem compreender.
- Este natal – Murmurou o menino – Eu gostava de uma coisa, mas nem tu nem ninguém ma pode dar.
- O quê?
- Eu queria que nevasse.
- Oh… Mas tu sabes que aqui nunca neva, esse desejo é muito difícil de realizar.
- Eu sei – O menino aproximou-se do vidro, colocando ambas as mãos abertas nele – Mas gostava mesmo de ver neve, de senti-la nas mãos – Deslizou as mãos pelo vidro húmido, deixando marcados os seus dedos.
A mãe não sabia o que responder. Por momentos olhou o filho com tristeza, passando-lhe pela cabeça a ideia tola e impossível de alguma maneira conseguir trazer neve até sua casa, simplesmente para ver um sorriso no rosto daquela criança. A mãe não disse nada e deu um abraço ao seu filho.
Alguns dias depois, aproximando-se cada vez mais o natal, o menino pediu um desejo enquanto estava sozinho.
- Uma vez, nem que seja só uma vez na vida, gostava de ver neve. Por favor, que faça neve no dia de natal.
Os dias passaram a correr e depressa chegou o dia mais importante para o menino. Nesse dia, ele esteve sempre colado ao vidro, sem sair de lá sequer um minuto, à espera que nevasse. Esteve à parte de toda a família, sendo chamado diversas vezes pela mãe para se juntar, mas ele abanava a cabeça e não saía de lá.
Nessa noite, com todos os seis filhos a dormir e o pai, o menino continuava esperançoso à janela. A mãe aproximou-se dele, colocando-lhe a mão no ombro.
- Tenho muita pena, acredita, mas é melhor ires para a cama, não vai nevar.
- Eu tinha a certeza…
O menino virou costas, preparando-se para ir deitar, enquanto a mãe ia fechar a janela. Antes de trancar, ela espreitou para o exterior como que a impulso, e voltou a olhar quando se apercebeu de algo fantástico.
- Filho olha! Olha agora! – Começou a chamar, repetidamente, com um entusiasmo na voz que se esforçava para não levantar o tom.
- O que foi? – O menino finalmente virou-se, aproximando-se da mãe.
- Olha ali, depressa!
O menino espreitou pela janela, e a mãe, satisfeita, fixava-o agora no rosto.
- Não está ali nada.
- Não?! – A mãe rapidamente espreitou pela janela, olhando para todos os lados e voltando a olhar como se procurasse algo – Mesmo agora… Posso jurar que vi… – Gaguejou e disse outras palavras pelo meio que o menino não conseguiu perceber, até a voz ficar abafada.
- O que era, mãe?
- Nada, esquece, devo ter imaginado. Vai dormir.
Mais de cinquenta anos depois, o menino era agora um idoso. Vivia sozinho, tinha umas longas barbas brancas, e nunca tinha visto neve. Continuou a sua vida inteira sem ver neve uma única vez. Ainda assim, ele adorava o natal, sentia a magia em cada canto. Os anos ensinaram-lhe que o natal é muito mais do que receber prendas. O natal é partilha, união, amor, árvores enfeitadas, luzes nas ruas, os risos frenéticos das crianças. O natal é… simplesmente natal. E tudo o que ele representa é maravilhoso.
No entanto, o menino (chamemos-lhe agora Natalício), não abandonara o seu sonho de ver neve. Ele até já tinha planeado juntar dinheiro para visitar outro país em que nevasse. Mas, enquanto isso não acontecia, o Natalício investiu grande parte do seu dinheiro a ajudar orfanatos, preocupando-se sempre em comprar brinquedos para os órfãos na época de natal, carregando-os num saco enorme ao ombro.
Num natal, um natal muito especial, sentia-se algo diferente no ar. O Natalício levantou-se de madrugada, admirando a paisagem pela janela, até que começou a ver um fenómeno completamente novo para ele. Neve. Era neve. Uma neve genuína e pura, branquinha como as nuvens. Primeiro, caíram pequenos farrapos alternadamente, até começarem a cair bolinhas de neve em grande quantidade.
Os olhos de Natalício ficaram incrédulos, depois encheram-se de lágrimas e encostou as mãos ao vidro de repente, com alguma força, encostando também os olhos ao vidro, parecendo não acreditar no que via, tremendo o corpo todo. Após o choque inicial, saiu de casa a correr, esquecendo-se até de fechar a porta, deixando-a escancarada. Natalício olhou para o céu, ainda sem acreditar nos seus próprios olhos. Abriu os braços, levantou a cabeça, fechou os olhos, e deixou que o frio e a neve daquela manhã de natal lhe invadissem os sentidos. Então, abaixou-se, recolheu um montinho de neve na mão, e deixou-a deslizar lentamente por entre os dedos. Foi das melhores sensações da sua vida.
Naquele momento, surge uma voz fina e alegre por trás:
- Olá, amigo! Estás feliz, não estás?
Natalício virou-se e viu um anão vestido de verde, com uma roupa estranha e umas orelhas pontiagudas.
- Quem és tu?
- Isso não importa! Preciso que venhas comigo, anda!
O anão puxou-o para as traseiras da casa de Natalício. Lá, abriu uma passagem.
- Entra! – Convidou o anão.
- Hum… Está bem, acho. Mas vais ter de me explicar… – Natalício ia enfiando a cabeça dentro do buraco, mas não teve tempo de dizer mais nada, pois o anão empurrara-o antes – Aaaah!
- Onde estamos?! – Perguntou Natalício aflito.
- Estamos no Pólo Norte! Bonito, ham? Aqui temos muita neve, vais sentir-te bem – Piscou-lhe o olho e começou a caminhar.
- Espera! Onde vais?
- Para a fábrica, claro! Temos muito trabalho a fazer e vou ter ainda de te explicar umas quantas coisas sobre o que fazemos aqui.
- Não estou a entender nada… Mas vou seguir-te, não tenho outra opção.
Caminharam até chegarem a um portão gigantesco, trancado.
- Então… – Disse Natalício – És um anão, não és?
- Sou um duende! – Respondeu resignado – E os meus companheiros também. Ora vê! – Carregou num botão, de um comando à distância, e abriu o portão – Esta é a nossa fábrica.
Aquela fábrica era um mundo de brinquedos, onde cada duende tinha uma função, construindo os brinquedos à mão e trabalhando de forma sucessiva.
- É… É fantástico! – Exclamou o Natalício.
- Claro que é! Temos tudo bem organizado – O duende sorriu, orgulhoso.
- Mas o que faço aqui, afinal?
- Vou-te explicar tudo enquanto visitamos a fábrica – Fez-lhe sinal com a mão, convidando-o a avançar – Há muitos séculos que nós, duendes, fabricamos brinquedos durante o ano inteiro para estarem prontos no natal e serem distribuídos pelas crianças. No entanto, cada ano existem mais crianças e nunca conseguimos chegar a todos os países, infelizmente. Precisamos de ajuda e algum meio de transporte eficaz.
- E onde entro eu nessa história?
- Temos vindo a observar-te desde que eras criança e sempre tiveste um comportamento exemplar. Mais recentemente, vimos as tuas acções para com as crianças do orfanato e achámos que serias a pessoa ideal para nos ajudar. Assim, encarregámo-nos de saber qual era o teu maior desejo de natal.
- A neve.
- Exacto, a neve. Mas queria avisar-te que esta situação de nos ajudares seria permanente…
- Hum…
- Eu compreendo se não…
- Está bem.
- A sério?!
- Sim.
- Obrigado, obrigado! – O duende saltou-lhe para o pescoço, abraçando-o.
- O que tenho de fazer exactamente?
- Distribuir os brinquedos. Mas precisamos de transporte…
- Talvez tenha uma solução. Posso pegar nalguns materiais da fábrica?
- Sim, claro!
Natalício passou algumas horas fechado num compartimento da fábrica, engenhando uma solução, até que finalmente saiu de lá, vitorioso.
- Duende, o transporte está aqui.
- Mostra-me, mostra-me! – Começou aos saltos, eufórico.
- É um trenó.
- Isso não pode ser um trenó, é muito grande!
- Mas é. A única coisa que fiz foi juntar outras tábuas de madeira e tornei-o maior. Assim as prendas cabem todas aqui dentro!
- Uau! – O duende abriu a boca de espanto – Excelente ideia! Vamos pôr aqui alguns sacos e experimentar.
Ainda não estavam ali todos os brinquedos, mas o Natalício não conseguia empurrar o trenó.
- Oh não… Agora que pensava ter encontrado a solução.
- Espera, se calhar não está tudo perdido.
Minutos depois…
- Elas vão ajudar-nos! – Trouxe quatro animais presos por cordas.
- Que animais são esses?
- São renas! Elas podem ajudar-te a puxar o trenó.
- Parece-me bem.
Na véspera de natal…
- Os brinquedos estão todos prontos! Temos de ver os últimos preparativos. Hum… Precisas de outra roupa.
- Porquê?
- Precisamos de te distinguir de outras pessoas e conseguir procurar-te de noite, enquanto distribuis os brinquedos. Tenho aqui dois fatos: Verde e vermelho. Qual preferes?
- Vermelho.
- Está bem! E agora… Falta o toque final.
O duende retirou uma caixinha do bolso, abriu-a e o seu interior brilhava.
- Isto é pó mágico. Serve para tornar o trenó mais “leve”.
- Hum… Está bem, põe lá isso.
Natalício sentou-se no trenó, enquanto o duende espalhava o pó mágico.
- Já está! Podes ir.
- Vamos, renas!
Ao puxar as rédeas, o trenó começou a flutuar.
- O que se passa?
- Haha eu disse-te que ia ficar mais leve!
- Podias ter-me avisado.
Natalício passou a noite inteira a distribuir presentes, mas conseguir chegar a todos os países. Porém, durante a sua jornada, em algumas casas, não resistiu a provar bolachas e chocolates que encontrou. Talvez por isso tenha nascido o mito do Pai Natal gostar de leite e bolachas.
De madrugada, voltou ao Pólo Norte.
- Conseguiste! Eu sabia que conseguias. Tu mudaste o natal, és o pai do natal! Já sei! Posso chamar-te Pai Natal? Era um bom nome artístico.
- Mas eu…
- Genial! A partir de hoje és o Pai Natal. Só há um problema…
- Qual?
- Tu já não és jovem e… bem… de um dia para o outro podes… tu sabes. A solução é dar-te vida eterna.
- Como assim?
- Viveres para sempre. Ficas com a idade que tens agora e poderás ser o Pai Natal. Todos os anos poderás distribuir presentes. Aceitas?
- Aceito. E posso mudar-me para cá?
- Obviamente que sim!
Assim nasceu a lenda do Pai Natal. Lenda ou… Verdade?
1 Comentário »
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OMG Ana isto está tão querido!
!!
Vou chama-lo de Duapy!
Senti tanta pena do miúdo quando visualizei a parte da janela :s
E depois! A mãe dele ao chama-lo, coitado do rapaz! Por segundos deve ter pensado que iria mesmo nevar!
O Natal inspirou-te bem! Gostei das ideias! Então aquela de ele ser vermelho para se puder distinguir durante a noite, omg! E ETERNAL LIFE ! Natalício para Pai Natal
E EU TAMBEM VOU SER A MAE NATAL! Porque eu nunca vi neve tambem e queria muitoo >.<
A tua escrita está cada vez melhor *-* Gosteei muitoo *_* as tuas historias sao sempre tão fofas! E algo sentimentais!
Quero um duende para mim
Quero maaais historiaaaaaaas !!!!!! Pede ao teu duende ajuda e assim fazes mais depressa *_*
Comentário por Carolina**— 27/12/2010 #