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	<title>Contos de uma adolescente</title>
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	<description>São contos criados por mim, deixem uma opinião, por favor! =D</description>
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		<title>Contos de uma adolescente</title>
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		<title>O Segredo da Imaginação</title>
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		<pubDate>Sat, 14 May 2011 10:33:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anapink</dc:creator>
				<category><![CDATA[Não classificado]]></category>

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		<description><![CDATA[Susy Cleveland acabava de chegar a Water Jewel após uma longa viagem de comboio. Desceu na estação, pousou a sua volumosa e pesada mala no chão, e olhou em volta. Não havia ninguém por perto, somente ela. Podia ouvir o vento soprar de mansinho, vindo dos corredores escuros e antigos. Retirou do bolso um bilhete [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=92&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Susy Cleveland acabava de chegar a Water Jewel após uma longa viagem de comboio. Desceu na estação, pousou a sua volumosa e pesada mala no chão, e olhou em volta. Não havia ninguém por perto, somente ela. Podia ouvir o vento soprar de mansinho, vindo dos corredores escuros e antigos. Retirou do bolso um bilhete dobrado em quatro, desdobrou-o, e releu a carta que recebera a semana passada:</p>
<p>“<em>Olá Susy. Como estás? A última vez que nos vimos já foi há algum tempo, lembras-te? Ajudaste-me a mim e à vila inteira a resolver o mistério da fonte. Pois bem, tenho outro enigma para ti: O conde Lawrence foi-se embora da vila, por motivo desconhecido, sem avisar, mas deixou uma mensagem em sua casa, na biblioteca, em que fala sobre a ilusão e imaginação. E, mais importante, quem decifrar o enigma encontra um tesouro escondido na vila! Eu sei o que estás a pensar, este sítio tem imensos segredos por desvendar e parece que cada vez existem mais. Contudo, sei que não és capaz de recusar um desafio como este e muito menos controlar a tua curiosidade apurada. És a única que o pode decifrar. Os habitantes de Water Jewel contam contigo!</em></p>
<p align="right"><em>Tio Greg.</em></p>
<p>           Susy já era bastante conhecida por aqueles lados pela sua capacidade de raciocínio e dedução. O seu tio admirava-a imenso, tinha orgulho nela, pois não lhe restava mais ninguém, vivia sozinho. Os pais de Susy viajavam permanentemente por causa dos seus empregos, mas nem a<br />
própria filha sabia ao certo o que faziam. Greg insistia, de cada vez que a sobrinha o visitava, de gracejar “Lá andam eles a espiar e prender criminosos<br />
por esse mundo fora! Onde estão desta vez?” e de seguida dava uma gargalhada. Estava convencido de que eram espiões. Susy adorava-o, e por essa razão<br />
prontificou-se logo a partir. Voltou a guardar a carta no bolso e preparava-se para sair da estação, quando de repente sentiu uma tontura e desmaiou.</p>
<p>Ao acordar, a visão estava turva, o que a fez semicerrar os olhos instintivamente e voltar a abri-los o máximo que podia com o objectivo de ver com maior nitidez. Aos poucos, as imagens começaram a criar uma forma definida. A primeira coisa de que Susy se apercebeu foi de que estava deitada num sofá, mirando-o confusa, por todo o seu comprimento. Depois, levantou a cabeça para olhar em frente e viu uma lareira. A esforço, apoiando as mãos no sofá e fazendo pressão nos braços, conseguiu suportar o seu corpo e levantar-se. Concluiu que estava na sala de estar de alguém, ou seja, numa casa, e quase podia jurar que era a da…</p>
<p>Nesse preciso momento ouviu a porta principal destrancar-se.</p>
<p>- Susy, já acordaste! Estás bem, não será melhor sentares-te? – Kate correu para junto de Susy.</p>
<p>- Não vais fechar a porta? – Susy admirou-se.</p>
<p>- Uh… Não, não é preciso. – Kate olhou por segundos para a porta mas voltou a fixar-se em Susy.</p>
<p>Kate era a melhor amiga de Susy na vila. Já se conheciam há muito tempo, desde crianças, e passaram por muitas aventuras juntas. Sempre que Susy tinha um problema ou precisava de ajuda para algo mais delicado, podia sempre contar com o apoio de Kate. Kate era muito simpática, prestável e extremamente perfeccionista em tudo o que fazia.</p>
<p>- Não me lembro do que aconteceu. Como cheguei aqui?</p>
<p>- Bem, &#8211; Kate caminhou alguns passos para o lado, na direcção oposta a Susy – Todos estávamos a estranhar demorares tanto a aparecer e, por isso, resolvi ir ter contigo à estação. Quando lá cheguei, para minha grande surpresa, encontrei-te estendida no chão, inconsciente. Fui logo chamar o meu irmão para me ajudar a trazer-te e ele veio a correr, obviamente. – Piscou-lhe o olho em sinal de brincadeira, como que falando de algo que só elas sabiam.</p>
<p>O irmão de Kate, Steven, era apaixonado por Susy desde a infância. E, apesar de ele nunca ter admitido ou<br />
feito uma declaração publicamente, todos sabiam, inclusive a própria Susy, que desmentia por se sentir desconfortável com o assunto. Para ela, Steven era como um irmão, e também não queria fazê-lo sentir triste ou atrapalhado, já que ele era a timidez em pessoa.</p>
<p>- Ah, estou a entender. Então e o meu tio, também sabe que estou aqui?</p>
<p>- Sim, ele disse para ires ter com ele quando já te sentisses melhor.</p>
<p>- Hum… &#8211; Susy estava pensativa – Está bem.</p>
<p>Após dito isto, saiu de casa de Kate. Contemplou a vila que não observava há quase dois anos. Nada parecia diferente, aliás, nunca mudava nada em Water Jewel: As pequenas casas em fila ordenada, do mesmo tamanho, todas iguais e bem arranjadinhas, com tons de branco e faixas vermelho claro por baixo das janelas da frente; em cima, tinham varandas médias, com pequenos vasos de flores a decorar os cantos. Aparentemente era um local calmo, mas Susy sabia que por detrás de uma pequena vila existiam sempre grandes mistérios.</p>
<p>Caminhou por entre as ruas, passando a padaria e o teatro, avistando ao longe densas árvores e a familiar estátua de um enorme tigre. Sabia, assim, que estava perto da casa de Greg. Bastava virar à próxima esquina. Por fora, parecia uma casa vulgar, modesta, e ninguém adivinhava a quantidade de objectos valiosos guardados no interior. Greg fazia imensas colecções basicamente sobre tudo. Se encontrasse um objecto perdido que o interessasse, guardá-lo-ia de imediato para o juntar aos outros, inventando um cantinho para o colocar. A casa estava a abarrotar de velharias, mas Greg achava sempre que ainda não eram suficientes. “Nunca se tem arte a mais. Ela enche-nos a alma, e se para isso tenho que encher também a minha casa, que<br />
seja!” era o que ele respondia quando Susy o acusava de não ter espaço para se movimentar. A característica principal de Greg era a teimosia.</p>
<p>Todos na vila conheciam Gregory Cleveland, mas poucos sabiam do seu apreço pela arte e momentos repentinos de filosofia acerca da vida. Greg não gostava de mostrar o seu intelecto, e talvez essa fosse uma das muitas razões por ser um homem solitário, apesar de se mostrar extrovertido com a<br />
maioria das pessoas.</p>
<p>- Tio sou eu! – Chamou Susy, batendo à porta.</p>
<p>Demorou alguns instantes até a porta se abrir, mas finalmente apareceu o tio. Um homem baixo, magro, moreno, cabelo e olhos castanho claro, com ar amigável. Notava-se uma certa semelhança com a sobrinha, partilhando as mesmas características. Susy era uma rapariga magra, parecendo uma adolescente, apesar dos seus vinte e dois anos. Morena, tal como o tio, contrastava com os seus olhos cinzentos e cabelo ondulado castanho quase loiro.</p>
<p>- Tinha tantas saudades! – Susy sorriu e lançou os braços na direcção do seu tio para<br />
lhe dar um forte abraço.</p>
<p>Estranhamente, Greg recuou. A sua expressão amigável mudou rapidamente para uma séria, sem saber bem como agir.</p>
<p>- Que se passa? – A sobrinha ficou um bocadinho triste.</p>
<p>- Desculpa, Susan. Estou com gripe e é melhor não te aproximares. Todos na vila estamos assim, deve ser um vírus qualquer que anda por aí. Aconselho-te a não te aproximares muito dos que estão à tua volta ou podes ficar engripada.</p>
<p>- Oh, está bem. – Greg afastou-se para deixar Susy entrar para o interior da casa.</p>
<p>Susy, examinando a casa cuidadosamente, estava pensativa.</p>
<p>- Podes agora explicar-me com mais pormenores sobre o enigma deixado pelo conde?</p>
<p>- Claro que sim. – Greg estava mais nervoso do que o habitual. – Precisamos de ir à mansão dele.</p>
<p>Não demoraram muito a chegar à mansão, era perto. Susy ficou maravilhada por ver tanto brilho numa casa<br />
enorme. “É estimada”, pensou ela. Havia ouro por todo o lado, até as próprias paredes pareciam ser feitas dele.</p>
<p>O tio conduziu-a até à biblioteca, e que vasta que era! Prateleiras cobertas de livros, arrumados por ordem<br />
alfabética, pendiam ao redor. Por onde quer que nos virássemos, só víamos livros com uma grossura considerada. As estantes eram enormes, tanto de largura como de altura, e iam quase até ao tecto. E este tecto não era normal, tinha uma enorme profundidade côncava no centro, decorado com uma pintura de século XVIII. Para alcançar os livros das prateleiras de cima existiam dois escadotes enormes, com rodinhas.<span id="more-92"></span></p>
<p>Susy olhava para todas as estantes, fascinada e de boca aberta, contemplando o tecto. Não conseguia deixar de pensar na quantidade de informação que aquela divisão continha, quantas histórias de ficção e realidade preenchiam as finas e gastas páginas. Cada um deles tinha uma sabedoria diferente, única, especial. Ao agarrar num dos livros, da prateleira de baixo, passando levemente a palma da mão pela capa, Susy interrogou-se também quem já teria agarrado naquele mesmo livro, o que sentira, que conhecimentos procurava ou se simplesmente o tenha encontrado por acaso. Quantas pessoas teriam lido as mesmas páginas? Seriam elas idosas, meia-idade, cerca da mesma do que ela ou quem sabe, até mais novas? Como seriam essas pessoas, boas ou más? Em que períodos das suas vidas teriam lido cada um daqueles livros e de que forma eles as ajudaram? E, se tivessem lido outros, o que teria mudado? Susy acreditava que os livros tinham um grande poder sob as pessoas, que eram capazes de as ajudar em maus momentos, esclarecer dúvidas ou servir de companhia. E, mais importante, se tivermos lido um determinado livro num momento marcante, (tenha sido este positivo ou negativo) nunca iremos esquecer.</p>
<p>- Aqui – Greg interrompeu os pensamentos de Susy, apontando para a parede do lado esquerdo.</p>
<p>- Este é o enigma? Bem, nunca tinha visto um escrito numa parede. – Notava-se que anteriormente o enigma não estava descoberto, alguém teve de raspar a tinta da parede.</p>
<p><em>             “A imaginação não se alcança, sente-se. Transforma-se de todas as maneiras possíveis e impossíveis, é de todas as cores, de todas as épocas, pensamentos e sensações. Não pertence a ninguém, pertence ao mundo. Pertence a quem a compreende instintivamente sem precisar de uma definição concreta.</em></p>
<p><em>            Associada a esta, está também a ilusão. Imaginação e ilusão caminham lado a lado, podendo até estar entrelaçadas. Por vezes, a ilusão intromete-se na imaginação e a última fica confusa, ou noutras a ilusão torna-se a própria imaginação.</em></p>
<p><em>           Existe um segredo para tal, escondido em Water Jewel, não muito longe daqui. Quem o descobrir, encontrará o maior tesouro desta humanidade e, quem sabe, ajudar outros a encontrar-se consigo próprios através da alma. A alma é um lugar tão profundo, amplo e ilimitado quanto o sítio onde se esconde o segredo da imaginação.”</em></p>
<p>- Uau. – Exclamou Susy quando terminou de ler, em quase sussurro. – Isto é brilhante.</p>
<p>- Sim, concordo, se ao menos soubesse o que significa exactamente. – Greg suspirou.</p>
<p>- Vai levar algum tempo mas acho que vamos conseguir. – Respondeu Susy confiante, relendo o enigma com um olhar decidido e analisador. – Amanhã irei começar a investigar, já se está a fazer tarde. – Declarou, após espreitar pela janela da biblioteca e ver o pôr-do-sol.</p>
<p>Regressaram a casa do tio e Susy dormiu lá, como era habitual. Tinha um quarto reservado só para si: Mais pequeno do que o seu mas bastante acolhedor, pintado de azul-bebé, com uma cama, uma mesa-de-cabeceira e um armário. Deitada na cama, de barriga para cima, reflectia sobre o seu dia. Algo que fazia premeditadamente para compreender melhor os que a rodeavam ou as mudanças que deveria fazer. Tinha o essencial em casa do tio e gostava de ali estar mesmo que tivesse de dormir no sofá. A satisfação que sentia de cada vez que o visitava fazia com tudo fosse algo especial, até a desarrumação e as suas colecções espalhadas por todo o lado. Porém, desta vez, sem saber bem porquê, Susy não sentia a mesma satisfação de sempre. Algo a incomodava e o seu sexto sentido raramente se enganava.</p>
<p>Perturbada, levantou-se da cama e decidiu andar pela casa, mas sem acordar Greg. Achou que andar lhe faria bem para aclarar as ideias. Ao chegar à cozinha, sentou-se numa cadeira e começou a olhar para os objectos. Nada a cativava por ali para se distrair. Assim, levantou-se da cadeira de seguida e caminhou até à sala. Ali sim, havia coisas capazes de a distanciar dos seus pensamentos.</p>
<p>A sala era um verdadeiro museu, recheada com a maioria dos artefactos encontrados por Gregory Cleveland ao longo dos anos. Era, assim, a maior divisão da casa. Susy adorava remexê-los, surpreendendo-se sempre ao encontrar objectos que ainda não tinha visto. No entanto, era natural, já que eles se encontravam sobrepostos uns aos outros e de vez em quando Greg juntava um novo elemento às suas colecções. Os maiores estavam no chão, por todos os cantos, e os restantes em cima da mesinha, estantes, ou até mesmo nas paredes, como era o caso dos quadros.</p>
<p>No escuro da noite, um brilho vindo de um canto da sala despertou a sua atenção. Aproximou-se e pegou num cisne de cristal que era do tamanho da sua mão. “Que lindo.”, pensou ela, “Uma verdadeira preciosidade.”<!--more--></p>
<p>Aquele cisne fê-la recordar-se de um lago mesmo em frente a casa de Greg, mas não iria lá naquela noite, precisava de energias para a investigação que se avizinhava, e Susy pressentia que seria bastante mais intensa do que pensava.</p>
<p>No dia seguinte, às oito da manhã, Susy já estava de pé e preparada para a acção. Saiu de casa do tio e dirigiu-se<br />
ao lago que lhe veio à memória na noite anterior. Ainda era cedo para poder fazer perguntas aos habitantes, como tencionava fazer. Quando chegou, vislumbrou o famoso Shiny Lake: Brilhante, como sempre, (daí ter este nome), tão transparente quanto poderia ser e minado de rãs. Contudo, de tempos a tempos, determinadas espécies de cisnes migravam para Water Jewel, e Susy ficava radiante quando os conseguia ver. Infelizmente, esta ainda não era a época deles.</p>
<p>Contornou o lago, vendo o seu reflexo nele, quando de repente, vindo detrás de si, algo caiu em cheio no lago, salpicando Susy pela força do embate. “Uma pessoa… Quem poderá ser?”, pensou Susy, ao aperceber-se de que o que caíra era um indivíduo e estava deitado de costas para ela. Apenas conseguia ver um vulto humano coberto por lama e um cabelo desgrenhado.<!--more--></p>
<p>O indivíduo levantou-se, tentando limpar-se de modo envergonhado, olhando depois para Susy com ar tímido.</p>
<p>- Oh… Olá, Susy. Eu estava a andar e… caí… quer dizer, tropecei… e depois… &#8211; Disse por entre pausas e gaguejos, até que parou de falar por ver que não estava a fazer sentido.</p>
<p>Susy aproximou-se do rosto dele, a um metro de distância, o que o fez corar.</p>
<p>- Stevie és tu! – Afirmou com alegria. – Bem me parecia que estava a reconhecer essa cara!</p>
<p>- Já sentia a tua fal… &#8211; Fez uma pausa brusca- Não nos víamos há imenso tempo!</p>
<p>Steven molhou a face no lago e as suas roupas, recompondo-se rapidamente. Steven, ou Stevie, como Susy costumava chamá-lo, era um rapaz de vinte e dois anos bastante bonito, alto e largo de ombros, quase como um segurança, no entanto, era tímido, como já tinha referido, e completamente desastrado. Susy achava o facto de Steven ir contra tudo, tropeçando, uma característica singular dele que o tornava engraçado, ao contrário da maioria da população, que frequentemente se irritava com ele.</p>
<p>Conversaram, Susy explicou-lhe o que a trazia a Water Jewel, e Steven decidiu instantaneamente acompanhá-la na investigação. Começaram por fazer perguntas aos habitantes, um questionário é sempre útil em qualquer pesquisa. Porém, ao que indicava, nunca ninguém tinha ouvido falar do enigma sobre a imaginação e não faziam ideia onde poderia estar escondido o tesouro. Assim, a ajuda não tinha valido de muito. Susy teria de recorrer apenas aos seus conhecimentos e instinto para o decifrar.</p>
<p>Algum tempo depois, Steven avisou Susy de que teria de ir para casa resolver uns assuntos, deixando a jovem novamente sozinha. De seguida Susy dirigiu-se à mansão do conde, para reler o enigma. “Faz sentido para mim, excepto a parte final. Onde poderá estar escondido, a que se refere com «um espaço amplo e ilimitado»?”, pensou Susy. Caminhou pelos corredores da mansão em busca de pistas.</p>
<p>Quanto mais andava, mais perdida se sentia. Os corredores pareciam todos iguais: Longínquos, largos, compridos, decorados com ornamentos de ouro, como seria de prever, e com cinco portas de cada lado. Susy chegou a um ponto em que já não sabia em que porta teria entrado ou qual faltava abrir, e como não tinha encontrado nenhuma pista que a levasse ao mistério, acabou por abandonar a mansão. “Talvez a pista que procuro esteja mais longe.”</p>
<p>Dirigiu-se, então, à praia ao lado da mansão. Uma praia com um areal enorme, o mar límpido e transparente, e rochas cobrindo a encosta. Susy caminhou à beira de água, mirando o rasto de pegadas que ia deixando pelo caminho. Subiu ao topo da encosta e contemplou a vista deslumbrante: O imenso mar à sua frente. Brilhante, calmo, resplandecendo o sol nele, originando as cores do arco-íris. Como se costuma dizer, “uma imagem vale por mil palavras”, não haveria forma de descrever aquela beleza. Susy sentiu uma paz interior, esquecendo os problemas, apenas pensando no que não existia, sonhando acordada. Então, apercebeu-se de algo que teria de confirmar, sem saber como, mas que tinha de ter a certeza se a sua teoria estaria correcta.</p>
<p>Reuniu, assim, todos os habitantes de Water Jewel na mansão. Juntaram-se na biblioteca e Susy começou por dizer:</p>
<p>- Devem estar a interrogar-se acerca do porquê desta reunião. – Olhou em volta – E sei o que estarão a pensar: “Ela chamou-nos aqui porque já descobriu o tesouro?”, não posso garantir-vos, mas creio que sim.</p>
<p>Alguns rostos ficaram sérios, outros empalideceram e muitos esbugalharam os olhos de espanto.</p>
<p>- Desde que aqui cheguei – Susy continuou a sua explicação após uma breve pausa para as pessoas se recomporem – achei que determinados factos não batiam certo. Primeiramente, achei esta frase do enigma curiosa: <em>“A alma é um lugar tão profundo, amplo e ilimitado quanto o sítio onde<br />
se esconde o segredo da imaginação.”</em> Pensem, de repente, qual o local que vos vem à cabeça, que seja ilimitado?</p>
<p>A pergunta ficou a pairar no ar. Todos pensaram mas ninguém chegava a uma conclusão.</p>
<p>- Então, tem que ser aqui dentro da mansão, não é? Se o enigma se encontra aqui, o tesouro também deve estar. – Um homem sexagenário, de bigode branco, quebrou o silêncio.</p>
<p>- Poderia ser, &#8211; Replicou Susy. – Mas seria demasiado óbvio. Além disso, logo no início do enigma, explica que pode estar em qualquer parte da vila. O meu primeiro pensamento foi procurar um objecto, algo palpável, mas depressa percebi que estava redondamente enganada. Em nenhuma frase, ou palavra, remete-nos para que o tesouro não seja abstracto ou espiritual.</p>
<p>- Se não é ouro, estamos à procura de quê? Não existe um tesouro, afinal? – Exclamou uma mulher revoltada.</p>
<p>- Tudo a seu tempo. Ainda não acabei de explicar, terá de ser passo a passo para compreenderem o meu raciocínio e dizerem-me se estou correcta ou não. Como estava a explicar, concluí que o tesouro poderia ser outro género de riqueza. Respondam-me: Que valores defendem?</p>
<p>- Família. – Respondeu uma jovem.</p>
<p>- Amizade. – Seguiu-se um menino.</p>
<p>- Muito bem. – Confirmou Susy. – Esses são alguns dos valores importantes para vocês e, creio eu, para a maioria dos humanos. Por esse motivo, são considerados um “tesouro”, um bem precioso, apesar de não serem objectos concretos. Estão a entender onde quero chegar?</p>
<p>A população assentiu com a cabeça afirmativamente.</p>
<p>- E penso que este é o caso do tesouro misterioso em Water Jewel. No entanto, antes de avançar mais com a revelação da minha teoria, gostaria que me respondessem só mais uma questão: Na vossa opinião, qual é a preciosidade da vila?</p>
<p>Alguns disseram as mais variadas coisas, como é normal, mas a grande maioria opinava de igual modo: O mar junto à mansão.</p>
<p>- Concordo. – Susy sorriu satisfatoriamente por eles terem escolhido também o mar.</p>
<p>- Só ainda não compreendi uma coisa, &#8211; Interveio um homem.- se realmente o tesouro for o mar, de que forma está relacionado e esconde o segredo da imaginação?</p>
<p>- Acho que consigo esclarecer. – Susy sentiu-se contente por finalmente chegar à parte interessante da sua teoria: A decifração do enigma.- Do meu ponto de vista este enigma tem um carácter filosófico. Venham comigo para entenderem o que quero dizer. – Susy começou a andar em direcção à saída e a população seguiu-a. Ela levou-os até à praia, subindo à encosta onde tinha estado outrora. – Vejam a beleza à vossa frente e contemplem! – Exclamou fechando os olhos e abrindo os braços, como que abraçando o mar.</p>
<p>- É lindo. Como é que nunca me tinha lembrado de subir antes? O mar parece tão diferente visto daqui… &#8211; Disse a mulher que anteriormente se revoltara por não haver tesouro.<!--more--></p>
<p>- Não há nada de diferente. Apenas o está a ver com outros olhos e mais perto de alcançar a plenitude da mente. – Respondeu Susy.</p>
<p>- Como assim?</p>
<p>- Repare. Reparem todos. – Levantou o tom de voz para todos a conseguirem ouvir. – A Terra está ligada com aquilo que podemos facilmente observar. Mas, ao invés, quando subimos um monte, rocha ou voamos num avião, estamos mais perto do inimaginável, do desconhecido ao ser humano. Tal como o céu, o mar é um infinito de possibilidades, de sonhos, e emoções provocadas ao contemplá-lo.</p>
<p>O mar é o segredo da imaginação. Quando olhamos para ele recordamo-nos de muitas coisas ou imaginamos outras. Penso que o enigma pretendia exactamente transmitir-nos isso. Em Water Jewel, o segredo reside neste mar e em todas as partes do mundo a imaginação esconde-se noutros locais, noutros mares e céus. Em todos os países existe mar, céu e natureza. É o que nos une. É o que une todas as imaginações das pessoas que se atrevem a sonhar.</p>
<p>A imaginação não tem segredo algum, basta querer criar um projecto e executá-lo. Contudo, para nos inspirarmos, é necessário recorrer a maravilhas como esta. – Apontou para o mar calmo à sua frente. – E é igualmente importante não esquecer que o mar é o reflexo do céu e vice-versa: São ambos azuis, ilimitados, belos. Constituem um todo e os limites para a imaginação não possuir limites.</p>
<p>Susy terminou a sua explicação e os habitantes permaneceram em silêncio, exactamente da mesma forma pensativa e séria de quando ela tinha começado.</p>
<p>- Faz sentido. – Concordou um homem. – E nós que estávamos cegos de ganância, nem nos<br />
ocorreu essa ideia… &#8211; Baixou a cabeça, envergonhado. A seguir todos os outros baixaram também as cabeças.</p>
<p>- Não fiquem assim. Ainda há muito por resolver, sabem disso.- Susy ficou com uma expressão inquisidora<br />
a olhá-los. – Preciso de confirmar uma suspeita. – Avançou para um menino, estendendo a mão para lhe tocar no braço.</p>
<p>- Espera, não! – O menino tentou afastar-se, mas foi tarde demais. Susy “tocou-lhe” e confirmou a sua suspeita. Um holograma. Não lhe conseguia tocar, só passar através dele.</p>
<p>- Eu sabia. – Afirmou. – Soube desde o início que muitos factos, sem ser o enigma, eram estranhos.</p>
<p>- Agora já não me faz diferença que o saibas, já sei o principal: O tesouro. Pena que não é o tipo de tesouro que esperava. – Falou um homem por entre a multidão, tirando um comando do bolso. Carregou num botão e os hologramas desapareceram, ficando só ele e Susy.</p>
<p>- Quem é você?</p>
<p>- Conde Lawrence ao seu dispor. – Fez um gesto de cortesia, tirando o chapéu.</p>
<p>- É o Conde Lawrence?! O proprietário desta mansão?</p>
<p>- Eu mesmo. Provavelmente já deduziste o modo como engendrei o meu plano, no entanto, irei contá-lo: Após descobrir o enigma em minha casa, queria arranjar uma forma de o descodificar, mas eu próprio não conseguia, por isso teria de ser outra pessoa. Lembrei-me, então, do que o teu tio falara sobre ti, de seres capaz de superar qualquer desafio.</p>
<p>Decidi falar com ele e pedir-lhe que te chamasse até cá, mas ele não se mostrou receptivo em ajudar-me pelos meus “motivos gananciosos”. Logo depois a vila inteira ficou a saber o que eu pretendia e viraram-se contra mim, determinados a não me deixarem contactar-te. Não me restou outra hipótese senão prendê-los.</p>
<p>Escrevi aquela carta, passando-me pelo teu tio, com a intenção de te atrair até cá. O resto, depois, foi fácil. Quando chegaste à estação aproximei-me por trás e fiz-te desmaiar ao largar um sonífero. Levei-te para casa da tua amiga Kate, e quando te apercebeste já lá estavas.</p>
<p>Porém, antes de chegares, desenvolvi os tais hologramas para não dares por falta das pessoas. Deu algum trabalho mas tive uma ajudinha do&#8230; Stephen? Ah, já sei, do Steven! Conhece-lo, não?</p>
<p>- O quê?! O Steven ajudou-o?! Não pode ser… &#8211; Susy esmoreceu.</p>
<p>- Não o fez de livre agrado, é certo, mas era o único que percebia destas tecnologias, por isso deixei-o liberto.</p>
<p>- Está bem, está bem. – Susy recompôs-se. – E agora que já sabe que não existe nenhum “tesouro a sério”, como diz, o que pretende fazer agora?</p>
<p>- Nada. – Respondeu serenamente.</p>
<p>- Mas vai libertar a população, certo? – Susy começou a ficar desconfiada.</p>
<p>- Ainda não tinha pensado nisso, mas agora que perguntas, acho que não.</p>
<p>- Ai não vai? – A rapariga ia-se mostrando progressivamente furiosa. – Porquê?</p>
<p>- Não me apetece. Para dizer a verdade, agrada-me viver sozinho nesta vila. Podes voltar para a tua casinha, já não há mais nada para fazeres aqui.</p>
<p>- Deve estar a gozar comigo…. – Olhou-o com desdém. – Não vou permitir que continue a manter presas aquelas pessoas inocentes.</p>
<p>- E vais fazer o quê, já agora? – Perguntou o conde, sarcasticamente.</p>
<p>Naquele instante, uns braços saídos dos arbustos, por detrás do conde, prendem-no e amarram as mãos.</p>
<p>- Que se passa aqui? – O conde ficou aflito enquanto a rapariga olhava perplexa.</p>
<p>Vindo dos arbustos saiu Steven.</p>
<p>- Stevie! – Exclamou Susy.</p>
<p>- Desculpa ter colaborado com ele mas não tive outra opção. – Afirmou ao apertar as cordas que prendiam Lawrence.<!--more--></p>
<p>- Deixa lá isso. Temos de nos preocupar agora a libertar o pessoal.</p>
<p>Deixaram o conde na encosta e foram buscar a população.</p>
<p>- Eu sei onde eles estão. – Contou Steven pelo caminho. – No armazém ao lado da fábrica de roupa.</p>
<p>Chegaram rapidamente ao armazém.</p>
<p>- Que fazemos? – Perguntou Susy ao constatar que a porta estava trancada. – Tens a chave?</p>
<p>- Não, apenas o Lawrence a tem. Só existe uma forma… &#8211; Mirou a porta pensando, como se já estivesse a fazer o que imaginava. – Afasta-te. – Susy instintivamente afastou-se e Steven arrombou a porta.</p>
<p>Ao entrarem, deram com a população amarrada. Rapidamente desataram-nos. Saíram do armazém e Steven perguntou a Susy:</p>
<p>- Para onde levamos o conde?</p>
<p>- Para a prisão, suponho. – Olhou para o polícia, um dos recém-libertos.</p>
<p>- Foi chocante o que nos aconteceu, para além do mais pela pessoa responsável por isto. Ninguém esperava esta acção do conde. Ele parecia um homem íntegro e era respeitado por todos. – Confessou o polícia.</p>
<p>- Hum… &#8211; Murmurou Susy pensativa.</p>
<p>De repente começaram a ouvir gritos vindos do interior do armazém. Pareciam um pedido de socorro.</p>
<p>- Ainda está alguém lá dentro! – Exclamou Steven alarmado. – Vou ver.</p>
<p>O resto das pessoas seguiu-o. O armazém estava aparentemente vazio, mas os gritos persistiam.</p>
<p>- Não compreendo. Talvez seja lá fora. – Steven ficou confuso.</p>
<p>- Não, é aqui. – Respondeu Susy. – Temos de procurar bem.</p>
<p>A jovem começou a apalpar a parede e ia seguindo o som da voz.</p>
<p>- Aqui. – Apontou para um sítio preciso da parede. – É onde se ouve melhor a voz e existe uma saliência na parede. Acho que é uma passagem oculta.</p>
<p>- Então só nos resta deitar a parede abaixo. – Concluiu Bob, um homem da construção civil. – Eu faço-o.</p>
<p>Bob demorou cerca de quinze minutos para ir buscar o material necessário e começou o seu trabalho. Demorou algum tempo, mas a parede foi deitada abaixo. Ao cair, visualizaram um compartimento com um homem lá dentro, encolhido. Depois de se aperceber de que estava seguro, o homem saiu. E para espanto de todos era o Conde Lawrence!</p>
<p>- Existem dois Lawrence?! – Escandalizou-se a população.</p>
<p>- Eu sou o Lawrence. O outro homem é o meu irmão gémeo, o Clarence. Ele veio para cá quando descobriu o enigma em minha casa e arquitectou este plano! – Explicou Lawrence.</p>
<p>- Começa a fazer sentido. – Concordou Susy.</p>
<p>Saíram todos do armazém, regressando à encosta e acompanhando Clarence a ser detido pelo polícia.</p>
<p>- Espere! – Ordenou Clarence. – Antes de ir quero que ela me diga uma coisa! – Apontou para Susy. – Como descobriste os hologramas?</p>
<p>- Não tinha dito que não havia interesse nisso? – Respondeu ironicamente.</p>
<p>- Isso foi antes de saber que o meu plano não ia dar resultado!</p>
<p>- Está bem. A explicação é esta: Os hologramas são fisicamente perfeitos mas intelectualmente não. Notei pequenas falhas no comportamento deles, tais como o meu tio pedir-me para ir ter a casa dele sabendo que estava a recuperar de um desmaio e me chamar Susan. Assim como o comportamento nervoso da Kate, ela é das pessoas mais descontraídas que conheço. Simplesmente não fazia sentido.</p>
<p>- Raios! – Rematou.</p>
<p>O polícia, logo a seguir, levou-o para a esquadra. A população dispersou-se.</p>
<p>- Eu podia ter-te contado mais cedo, quando nos encontrámos no lago, mas não podia. Iria pôr em risco as vidas deles. Mas eu sabia que tu irias acabar por entender toda esta confusão. – Disse Steven a Susy, a sós.</p>
<p>- Esquece. Correu tudo bem. – Respondeu com um sorriso.</p>
<p>- Afinal o segredo da imaginação é isto, ham? – Perguntou, virando-se para o mar. Sabes, eu gostava de te dizer uma coisa, se tivesse coragem, mas não consigo. Talvez um dia.</p>
<p>- Diz lá. O que é? – Perguntou curiosa mas ao mesmo tempo prevendo o que ele estava a pensar.</p>
<p>- Imagina. Está aqui à tua frente o segredo da imaginação. – Piscou-lhe o olho.</p>
<p>Susy riu-se e caminharam os dois de volta à vila.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aninhacontos.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aninhacontos.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aninhacontos.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aninhacontos.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aninhacontos.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aninhacontos.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aninhacontos.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aninhacontos.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aninhacontos.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aninhacontos.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aninhacontos.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aninhacontos.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aninhacontos.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aninhacontos.wordpress.com/92/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=92&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pai Natal</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Dec 2010 13:20:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anapink</dc:creator>
				<category><![CDATA[Não classificado]]></category>

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		<description><![CDATA[Tantas histórias giram em torno do Pai Natal e da forma como todos os anos, no seu trenó, ele distribui prendas nas casas das crianças em todo o mundo. Mas como surgiu o Pai Natal? De onde veio, afinal, esta figura de um homem de barbas brancas e fato vermelho? É essa a história que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=88&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tantas histórias giram em torno do Pai Natal e da forma como todos os anos, no seu trenó, ele distribui prendas nas casas das crianças em todo o mundo. Mas como surgiu o Pai Natal? De onde veio, afinal, esta figura de um homem de barbas brancas e fato vermelho? É essa a história que irei contar.</p>
<p>            Há mais ou menos duzentos anos, numa vila, existia um menino que não recebia prendas no natal. A sua família era muito pobre e, por isso, não festejavam o natal. Juntamente com ele viviam os seus pais e seis irmãos. O menino era o mais novo de sete filhos.</p>
<p>            Porém, um natal, a mãe do menino teve uma ideia, enquanto estavam os dois sozinhos em casa:</p>
<p>- Filho, o que gostavas de receber este natal? Nós não temos muito dinheiro mas eu queria, nem que fosse apenas uma vez, oferecer prendas a cada um de vocês.</p>
<p>            O menino escutou a mãe em silêncio e depois caminhou em direcção à mãe, agarrou-a pela mão e puxou-a para junto da janela embaciada pelo frio. O menino ficou a olhar para o exterior e a mãe seguiu-lhe o olhar, ainda sem compreender.</p>
<p>- Este natal – Murmurou o menino – Eu gostava de uma coisa, mas nem tu nem ninguém ma pode dar.</p>
<p>- O quê?</p>
<p>- Eu queria que nevasse.</p>
<p>- Oh… Mas tu sabes que aqui nunca neva, esse desejo é muito difícil de realizar.</p>
<p>- Eu sei – O menino aproximou-se do vidro, colocando ambas as mãos abertas nele – Mas gostava mesmo de ver neve, de senti-la nas mãos – Deslizou as mãos pelo vidro húmido, deixando marcados os seus dedos.</p>
<p>            A mãe não sabia o que responder. Por momentos olhou o filho com tristeza, passando-lhe pela cabeça a ideia tola e impossível de alguma maneira conseguir trazer neve até sua casa, simplesmente para ver um sorriso no rosto daquela criança. A mãe não disse nada e deu um abraço ao seu filho.</p>
<p>            Alguns dias depois, aproximando-se cada vez mais o natal, o menino pediu um desejo enquanto estava sozinho.</p>
<p>- Uma vez, nem que seja só uma vez na vida, gostava de ver neve. Por favor, que faça neve no dia de natal.</p>
<p>            Os dias passaram a correr e depressa chegou o dia mais importante para o menino. Nesse dia, ele esteve sempre colado ao vidro, sem sair de lá sequer um minuto, à espera que nevasse. Esteve à parte de toda a família, sendo chamado diversas vezes pela mãe para se juntar, mas ele abanava a cabeça e não saía de lá.</p>
<p>            Nessa noite, com todos os seis filhos a dormir e o pai, o menino continuava esperançoso à janela. A mãe aproximou-se dele, colocando-lhe a mão no ombro.</p>
<p>- Tenho muita pena, acredita, mas é melhor ires para a cama, não vai nevar.</p>
<p>- Eu tinha a certeza…</p>
<p>            O menino virou costas, preparando-se para ir deitar, enquanto a mãe ia fechar a janela. Antes de trancar, ela espreitou para o exterior como que a impulso, e voltou a olhar quando se apercebeu de algo fantástico.</p>
<p>- Filho olha! Olha agora! – Começou a chamar, repetidamente, com um entusiasmo na voz que se esforçava para não levantar o tom.</p>
<p>- O que foi? – O menino finalmente virou-se, aproximando-se da mãe.</p>
<p>- Olha ali, depressa!</p>
<p>            O menino espreitou pela janela, e a mãe, satisfeita, fixava-o agora no rosto.</p>
<p>- Não está ali nada.</p>
<p>- Não?! – A mãe rapidamente espreitou pela janela, olhando para todos os lados e voltando a olhar como se procurasse algo – Mesmo agora… Posso jurar que vi… &#8211; Gaguejou e disse outras palavras pelo meio que o menino não conseguiu perceber, até a voz ficar abafada.</p>
<p>- O que era, mãe?</p>
<p>- Nada, esquece, devo ter imaginado. Vai dormir.</p>
<p>            Mais de cinquenta anos depois, o menino era agora um idoso. Vivia sozinho, tinha umas longas barbas brancas, e nunca tinha visto neve. Continuou a sua vida inteira sem ver neve uma única vez. Ainda assim, ele adorava o natal, sentia a magia em cada canto. Os anos ensinaram-lhe que o natal é muito mais do que receber prendas. O natal é partilha, união, amor, árvores enfeitadas, luzes nas ruas, os risos frenéticos das crianças. O natal é… simplesmente natal. E tudo o que ele representa é maravilhoso.</p>
<p>            No entanto, o menino (chamemos-lhe agora Natalício), não abandonara o seu sonho de ver neve. Ele até já tinha planeado juntar dinheiro para visitar outro país em que nevasse. Mas, enquanto isso não acontecia, o Natalício investiu grande parte do seu dinheiro a ajudar orfanatos, preocupando-se sempre em comprar brinquedos para os órfãos na época de natal, carregando-os num saco enorme ao ombro.</p>
<p>            Num natal, um natal muito especial, sentia-se algo diferente no ar. O Natalício levantou-se de madrugada, admirando a paisagem pela janela, até que começou a ver um fenómeno completamente novo para ele. Neve. Era neve. Uma neve genuína e pura, branquinha como as nuvens. Primeiro, caíram pequenos farrapos alternadamente, até começarem a cair bolinhas de neve em grande quantidade.</p>
<p>            Os olhos de Natalício ficaram incrédulos, depois encheram-se de lágrimas e encostou as mãos ao vidro de repente, com alguma força, encostando também os olhos ao vidro, parecendo não acreditar no que via, tremendo o corpo todo. Após o choque inicial, saiu de casa a correr, esquecendo-se até de fechar a porta, deixando-a escancarada. Natalício olhou para o céu, ainda sem acreditar nos seus próprios olhos. Abriu os braços, levantou a cabeça, fechou os olhos, e deixou que o frio e a neve daquela manhã de natal lhe invadissem os sentidos. Então, abaixou-se, recolheu um montinho de neve na mão, e deixou-a deslizar lentamente por entre os dedos. Foi das melhores sensações da sua vida.</p>
<p>            Naquele momento, surge uma voz fina e alegre por trás:</p>
<p>- Olá, amigo! Estás feliz, não estás?</p>
<p>            Natalício virou-se e viu um anão vestido de verde, com uma roupa estranha e umas orelhas pontiagudas.</p>
<p>- Quem és tu?</p>
<p>- Isso não importa! Preciso que venhas comigo, anda!</p>
<p>            O anão puxou-o para as traseiras da casa de Natalício. Lá, abriu uma passagem.</p>
<p>- Entra! – Convidou o anão.</p>
<p>- Hum… Está bem, acho. Mas vais ter de me explicar… &#8211; Natalício ia enfiando a cabeça dentro do buraco, mas não teve tempo de dizer mais nada, pois o anão empurrara-o antes – Aaaah!</p>
<p>- Onde estamos?! – Perguntou Natalício aflito.</p>
<p>- Estamos no Pólo Norte! Bonito, ham? Aqui temos muita neve, vais sentir-te bem – Piscou-lhe o olho e começou a caminhar.</p>
<p>- Espera! Onde vais?</p>
<p>- Para a fábrica, claro! Temos muito trabalho a fazer e vou ter ainda de te explicar umas quantas coisas sobre o que fazemos aqui.</p>
<p>- Não estou a entender nada… Mas vou seguir-te, não tenho outra opção.</p>
<p>            Caminharam até chegarem a um portão gigantesco, trancado.</p>
<p>- Então… &#8211; Disse Natalício – És um anão, não és?</p>
<p>- Sou um duende! – Respondeu resignado – E os meus companheiros também. Ora vê! – Carregou num botão, de um comando à distância, e abriu o portão – Esta é a nossa fábrica.</p>
<p>            Aquela fábrica era um mundo de brinquedos, onde cada duende tinha uma função, construindo os brinquedos à mão e trabalhando de forma sucessiva.</p>
<p>- É… É fantástico! – Exclamou o Natalício.</p>
<p>- Claro que é! Temos tudo bem organizado – O duende sorriu, orgulhoso.<span id="more-88"></span></p>
<p>- Mas o que faço aqui, afinal?</p>
<p>- Vou-te explicar tudo enquanto visitamos a fábrica – Fez-lhe sinal com a mão, convidando-o a avançar – Há muitos séculos que nós, duendes, fabricamos brinquedos durante o ano inteiro para estarem prontos no natal e serem distribuídos pelas crianças. No entanto, cada ano existem mais crianças e nunca conseguimos chegar a todos os países, infelizmente. Precisamos de ajuda e algum meio de transporte eficaz.</p>
<p>- E onde entro eu nessa história?</p>
<p>- Temos vindo a observar-te desde que eras criança e sempre tiveste um comportamento exemplar. Mais recentemente, vimos as tuas acções para com as crianças do orfanato e achámos que serias a pessoa ideal para nos ajudar. Assim, encarregámo-nos de saber qual era o teu maior desejo de natal.</p>
<p>- A neve.</p>
<p>- Exacto, a neve. Mas queria avisar-te que esta situação de nos ajudares seria permanente…</p>
<p>- Hum…</p>
<p>- Eu compreendo se não…</p>
<p>- Está bem.</p>
<p>- A sério?!</p>
<p>- Sim.</p>
<p>- Obrigado, obrigado! – O duende saltou-lhe para o pescoço, abraçando-o.</p>
<p>- O que tenho de fazer exactamente?</p>
<p>- Distribuir os brinquedos. Mas precisamos de transporte…</p>
<p>- Talvez tenha uma solução. Posso pegar nalguns materiais da fábrica?</p>
<p>- Sim, claro!</p>
<p>            Natalício passou algumas horas fechado num compartimento da fábrica, engenhando uma solução, até que finalmente saiu de lá, vitorioso.</p>
<p>- Duende, o transporte está aqui.</p>
<p>- Mostra-me, mostra-me! – Começou aos saltos, eufórico.</p>
<p>- É um trenó.</p>
<p>- Isso não pode ser um trenó, é muito grande!</p>
<p>- Mas é. A única coisa que fiz foi juntar outras tábuas de madeira e tornei-o maior. Assim as prendas cabem todas aqui dentro!</p>
<p>- Uau! – O duende abriu a boca de espanto – Excelente ideia! Vamos pôr aqui alguns sacos e experimentar.</p>
<p>            Ainda não estavam ali todos os brinquedos, mas o Natalício não conseguia empurrar o trenó.</p>
<p>- Oh não… Agora que pensava ter encontrado a solução.</p>
<p>- Espera, se calhar não está tudo perdido.</p>
<p>            Minutos depois…</p>
<p>- Elas vão ajudar-nos! – Trouxe quatro animais presos por cordas.</p>
<p>- Que animais são esses?</p>
<p>- São renas! Elas podem ajudar-te a puxar o trenó.</p>
<p>- Parece-me bem.</p>
<p>            Na véspera de natal…</p>
<p>- Os brinquedos estão todos prontos! Temos de ver os últimos preparativos. Hum… Precisas de outra roupa.</p>
<p>- Porquê?</p>
<p>- Precisamos de te distinguir de outras pessoas e conseguir procurar-te de noite, enquanto distribuis os brinquedos. Tenho aqui dois fatos: Verde e vermelho. Qual preferes?</p>
<p>- Vermelho.</p>
<p>- Está bem! E agora… Falta o toque final.</p>
<p>            O duende retirou uma caixinha do bolso, abriu-a e o seu interior brilhava.</p>
<p>- Isto é pó mágico. Serve para tornar o trenó mais “leve”.</p>
<p>- Hum… Está bem, põe lá isso.</p>
<p>            Natalício sentou-se no trenó, enquanto o duende espalhava o pó mágico.</p>
<p>- Já está! Podes ir.</p>
<p>- Vamos, renas!</p>
<p>            Ao puxar as rédeas, o trenó começou a flutuar.</p>
<p>- O que se passa?</p>
<p>- Haha eu disse-te que ia ficar mais leve!</p>
<p>- Podias ter-me avisado.</p>
<p>            Natalício passou a noite inteira a distribuir presentes, mas conseguir chegar a todos os países. Porém, durante a sua jornada, em algumas casas, não resistiu a provar bolachas e chocolates que encontrou. Talvez por isso tenha nascido o mito do Pai Natal gostar de leite e bolachas.</p>
<p>            De madrugada, voltou ao Pólo Norte.</p>
<p>- Conseguiste! Eu sabia que conseguias. Tu mudaste o natal, és o pai do natal! Já sei! Posso chamar-te Pai Natal? Era um bom nome artístico.</p>
<p>- Mas eu…</p>
<p>- Genial! A partir de hoje és o Pai Natal. Só há um problema…</p>
<p>- Qual?</p>
<p>- Tu já não és jovem e… bem… de um dia para o outro podes… tu sabes. A solução é dar-te vida eterna.</p>
<p>- Como assim?</p>
<p>- Viveres para sempre. Ficas com a idade que tens agora e poderás ser o Pai Natal. Todos os anos poderás distribuir presentes. Aceitas?</p>
<p>- Aceito. E posso mudar-me para cá?</p>
<p>- Obviamente que sim!</p>
<p>            Assim nasceu a lenda do Pai Natal. Lenda ou… Verdade?</p>
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		<title>Bolhas de sabão</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Sep 2010 11:32:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anapink</dc:creator>
				<category><![CDATA[Não classificado]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma torre, acompanhando a majestosa e inabalável estrutura de um castelo, com vários metros de altura, tão forte, tão perfeita. Cada pedra, cuidadosamente unida à sua parceira, parecia indestrutível. Por entre finas ranhuras, encontrava-se musgo e pequenos buracos junto ao chão. A vegetação cobria as paredes do castelo como um manto, e as janelas largas, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=84&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma torre, acompanhando a majestosa e inabalável estrutura de um castelo, com vários metros de altura, tão forte, tão perfeita. Cada pedra, cuidadosamente unida à sua parceira, parecia indestrutível. Por entre finas ranhuras, encontrava-se musgo e pequenos buracos junto ao chão. A vegetação cobria as paredes do castelo como um manto, e as janelas largas, compridas, estendiam-se por toda a sua dimensão. Um portão, em arco, nas traseiras, dava um ar tipicamente medieval e misterioso. Se estivéssemos fixos a olhar para ele, durante alguns minutos, poderíamos ver e ouvir sons de espadas, cantos líricos e sombras de vestidos longos a atravessar o pátio. Na frente, não existia qualquer portão. E na janela, a do topo, uma menina soprava bolhas de sabão. Os seus cabelos loiros, ondulados, deslizavam em conjunto com a harmonia das bolhas de sabão, sendo arrastadas pelo vento, para bem longe. A menina desejava saber para onde iriam as bolhas, mas nunca o soubera. “Cada uma deve ir para um lugar diferente. Várias cidades, países… Que coisas maravilhosas elas devem visitar! E Eu… Eu fico sempre aqui, neste quarto”, pensava ela, enquanto se virava para trás.</p>
<p>            O quarto era lindo, é certo, extremamente bem decorado. De canto, havia uma poltrona de veludo, onde muitas vezes a menina se sentava. À direita, poderíamos ver uma mesa de madeira cor de pinho, com uma gaveta por baixo; a cadeira, ligeiramente afastada, da mesma cor, fazia de suporte a um grande urso de peluche. Do lado esquerdo, estava a cama, uma caminha pequena para alguém desse mesmo tamanho; perto dela, estava uma mesa-de-cabeceira. De frente, uma estante de tamanho médio, madeira escura, carregava pesados livros, distraidamente colocados. Ao lado da estante, tínhamos uma porta directa para uma modesta casa de banho. E porta de saída? Não, não tinha.</p>
<p>            Todos os dias, a menina recebia tabuleiros com refeições quentes, sem saber nunca de onde vinham. Estes surgiam no parapeito da janela, antes que ela se apercebesse que eles já lá estavam A menina nunca tinha saído do quarto, aliás, nem se recorda de ter entrado. Era um sentimento vazio estar ali. Aquele lugar era-lhe familiar, no entanto, não era a emoção de algo bom, como de quando somos crianças. Era de algo assustador. Lembrava-se de em tempos não estar sozinha, de estar com uma senhora, que lhe tinha ensinado a falar, andar e tantas outras coisas. Mas, de alguns anos para cá, deixara de aparecer. A memória dessa senhora era já muito vaga. Dos poucos objectos que lhe deixara, incluindo os livros e urso de peluche, entregara-lhe também um recipiente para poder fazer bolhas de sabão. Desde essa altura, a menina todos os dias inclinava-se na janela, soprando bolhas de sabão.</p>
<p>            Um dia, porém, decidiu olhar para baixo. A sensação foi de tontura, quase desmaiou. Foi a primeira vez que viu realmente o mundo exterior. Já tinha olhado muitas vezes para o céu, sim, para o horizonte, mas nunca para baixo. Viu o chão, árvores, a estrutura do castelo onde sempre vivera mas nunca tinha visto o seu exterior. Como a ideia de espreitar não lhe tinha passado pela cabeça? Nem ela sabia, mas foi essa a pergunta que perseguiu a sua mente o resto do dia.</p>
<p>            O que poderia encontrar? O que poderia ver? Sentir, tocar? Tantas perguntas lhe pairavam na cabeça, e quanto mais pensava nelas mais a ideia lhe agradava. Mas como poderia descer? Se ao menos existisse uma escada…</p>
<p>            Nessa noite, adormeceu na poltrona. Sonhou com aquilo que imaginava, o que não imaginava, o que nem sequer queria imaginar. Não queria criar ilusões de saídas, isso seria ingenuidade, mas o “e se…” não parava de a atacar. Até que, quando acordou, um ímpeto de recorrer ao recipiente de bolhas de sabão lhe correu o corpo. Não sabia porquê, nem para quê, mas queria usá-lo. Levantou-se, correu rapidamente para a mesa-de-cabeceira e pegou nele. De seguida, caminhou até ao parapeito da janela, desta vez lentamente, tão lentamente que cada passo parecia mais pequeno que o outro, como se soubesse aproximar-se de perigo, mas ao mesmo tempo não conseguia parar de andar. Chegou então, finalmente, à janela. Olhou para baixo, o seu maior receio. Bem, dessa vez, não se sentiu tão tonta, mas continuava com medo. O medo pode apoderar-nos. De repente, virou a cabeça para o lado, não queria continuar a olhar. Então, teve uma ideia, uma ideia louca talvez, mas situações desesperadas requerem medidas desesperadas, não é?</p>
<p>            A menina começou por soprar as bolhas de sabão, como sempre fazia, mas desta vez soprava-as rápido, seguidas umas às outras, como se tivesse a intenção de juntá-las. As bolhas começaram por formar uma onda, depois, criaram uma forma mais definida: Formaram uma escada. Uma escada em caracol, com dois sentidos: Um para cima e outro para baixo. “Para cima?” Interrogou-se a menina. A medo, colocou um pé no parapeito, de seguida, apoiando-se com a mão direita na parede, colocou o outro. Sentiu-se quase a tombar, mas felizmente, conseguiu manter o equilíbrio. Ponderou se deveria saltar ou não para o primeiro degrau da escada de bolhas de sabão. E se esta rebentasse? Era um risco. Então, após reflectir, saltou a pés juntos.</p>
<p>            A escada, por incrível que pareça, continuou intacta. As bolhas resplandeciam à luz do sol cheias de cor, vida, como um arco-íris; eram tão frágeis mas simultaneamente tão alegres, brilhantes. A menina olhava para elas, à medida que subia os primeiros degraus, como se estivesse a contemplar diamantes. Então, a uma certa altura, parou.</p>
<p>            “Agora não sei que caminho escolher”. Olhou para os dois lados. “A menos se…”. Caminhou delicadamente e, no ponto em que as duas escadas se separavam, cruzou-as. Foi complicado fazê-lo sozinha, as bolhas tinham tendência a escapar, mas acabou por conseguir.<span id="more-84"></span></p>
<p>            “Primeiro vou até lá abaixo”, decidiu, “Poderei voltar e visitar o outro caminho”. Após descer os vários degraus, chegou finalmente a terra firme. Era um mundo novo. Olhou à volta e viu coisas que apenas conhecia dos livros, como as árvores. Até que se deparou com um castelo enorme, olhou para cima, esticando todo o seu pescoço, mas não lhe conseguia ver o fim. Era tudo tão novo mas tão familiar.</p>
<p>            Caminhou mais um pouco e encontrou o pátio: As traseiras do castelo. “Que jardim lindo!”, exclamou em voz alta. Entrou pela porta em arco para espreitar melhor. Mas, para sua grande desilusão, não estava ali ninguém. Quer dizer, ela não tinha a ideia fixa de encontrar alguém, no entanto, no seu subconsciente tinha-a, só se apercebendo disso quando se sentiu triste. Ao virar as costas, deu com uma curva. Cruzou-a, encontrando um banco de pedra comprido esculpido no encosto. Debruçou-se para tentar ler o que dizia<em>. “Uma mente aberta tem a capacidade de escutar e ajudar, as demais, têm a capacidade de ouvir e ordenar”. </em>Frase interessante, pensou a menina. Ao regressar ao pátio, teve a ligeira sensação de ser observada. Virou-se, pensando ver uma sombra. Depois, virou-se de novo, pensando ter ouvido uma música. “Que estranho, é melhor ir-me embora daqui”.</p>
<p>            Ao encontrar-se no ponto de partida, junto ao castelo, teve a ideia de continuar a andar, mas achou que não devia. Tinha imensa curiosidade, é certo, mas o medo era maior. Assim, subiu a escada de bolhas, preparando-se para visitar o outro caminho, mas sempre com o “e se…” na cabeça.</p>
<p>            O outro caminho era diferente. Não era superior, nada disso, mas sim diferente. Essa é a palavra certa. A menina encontrou nuvens, o sol, a lua, estrelas e o arco-íris. Tudo tão maravilhoso, calmo, tranquilo, sem se ouvir um mínimo barulho. A menina experimentou subir a uma nuvem, e a sensação foi divertida; era fofa, esponjosa e poderíamos saltar sob ela como numa cama. Tentou tocar as estrelas, mas estas fugiam quando se aproximava, como se estivessem a brincar, rindo-se, aproximando-se e afastando-se dela, circundando-a. Tentou também tocar o sol, mas a sua mão encolheu-se ao sentir o calor intenso; era impossível aproximar-se. Em seguida, aproximou-se da lua; esta possuía um ar de sabedoria mas, quando a menina se aproximou, envolveu-a nos braços como uma mãe faria, com todo o carinho. Estar ali, naqueles momentos, começou a dar um sono hipnotizante à menina, o que a obrigou a retirar-se. Por último, deparou-se com o arco-íris, o mesmo arco-íris que vira em ilustrações de livros, mas este era mil vezes melhor, mil vezes verdadeiro, mil vezes único, palpável. Correu em direcção a ele, com o intuito de tocar em cada cor. Porém, ao tocá-lo, foi como se tivesse derramado tinta de uma tela ainda fresca. Todas as cores começaram a escorrer para as bolhas de sabão, pintando-as como o arco-íris.</p>
<p>            “O que está a acontecer?!”, a menina alarmou-se, mas, depois, acalmou-se ao presenciar aquela linda escada de arco-íris. E, ela própria, ficou com todo o seu corpo coberto por aquelas cores. Tornou-se num espírito livre, cruzando sempre que quisesse o Céu e a Terra. Finalmente sentia-se parte de algo, em casa.</p>
<p>            Sentirmo-nos em casa é tão importante. E não digo uma casa qualquer, onde vivemos, mas sim onde pertencemos. É fácil encontrar muitos sítios de que gostemos, mas aquele onde pertencemos, só o encontramos uma vez na vida e, por mais que tentemos fugir dele ou que as circunstâncias da vida o obriguem, voltaremos sempre a reencontrar, ou encontrar pela primeira vez, o caminho para casa.</p>
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		<title>A Túlipa</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 13:51:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anapink</dc:creator>
				<category><![CDATA[Não classificado]]></category>

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		<description><![CDATA[Passos largos, apressados, pisavam pequenas poças de chuva ao nascer do dia. As ruas estavam desertas e a leve brisa levantava delicadamente os cabelos de Helena. Esta, ao ver uma folha cair à sua frente, parecendo ondear ao sabor de uma música calma, abriu a palma da sua mão em forma de concha e deixou-a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=75&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Passos largos, apressados, pisavam pequenas poças de chuva ao nascer do dia. As ruas estavam desertas e a leve brisa levantava delicadamente os cabelos de Helena. Esta, ao ver uma folha cair à sua frente, parecendo ondear ao sabor de uma música calma, abriu a palma da sua mão em forma de concha e deixou-a cair, ao que a contemplou como um presente caído do céu, dando a esperança de um novo dia. Porém, a caminhada não ajudava a resolver os problemas. Se fosse assim tão fácil…</p>
<p>            Helena pensava nos seus sentimentos, nas mentiras, promessas quebradas e como a vida pode ser tão injusta, tão solitária. Nesse momento o mundo pesava muito, muito mais do que ela podia aguentar. E nisto, sem se dar bem conta, chegou a uma floresta. Era uma floresta maravilhosa: Troncos de árvores estendiam-se até ao infinito, formando um círculo. Helena fixou-os, começou a andar à roda, sempre fixada nos ramos, até parecer completamente hipnotizada por eles. Pareciam um ciclo vicioso, sem entradas, sem saídas. Representavam bem o que Helena atravessava dentro da sua alma. Por fim, ao sentir-se tonta de andar às voltas, desequilibrou-se, prestes a cair no chão, ao mesmo tempo que chega alguém. Essa pessoa vinha a correr, de certeza, porque esbarrou com Helena, por trás, com uma força que mais parecia um empurrão. Mesmo assim, Helena caiu, mais depressa, virando-se para trás para ver quem era, mas já não estava lá ninguém. Depois, permaneceu sentada a admirar a paisagem. Mais tarde, regressou a casa, sozinha.</p>
<p>            No dia seguinte voltou à floresta, e mais uma vez encontrava-se junto às árvores em círculo, encostada a um dos troncos. De repente, ouve uma voz, a cantar, como se estivesse muito perto. Levantou-se bruscamente e espreitou para a direita, esticando o pescoço, mas não viu nada. Espreitou então para a esquerda, mas o resultado foi o mesmo. Deu alguns passos em frente, recuando dois, ao assustar-se com um barulho de um animal. Manteve-se alguns segundos imóvel, mas decidiu avançar. Encontrou um rapaz sentado junto a um tronco, tal como ela costumava estar. “Olá…” disse Helena timidamente, com um tom de voz tão baixo que se não fosse o ambiente silencioso da floresta ninguém a conseguiria ouvir. Mas o rapaz não respondeu, apesar de estar apenas cerca de um metro de distância dela, parecia não ter ouvido, nem sequer dirigiu um olhar, nada. Parecia estar demasiado abstraído nos seus pensamentos. “Olá!”, repetiu novamente, desta vez mais alto. O rapaz virou a cabeça de repente, olhando-a nos olhos, como se tivesse explodido uma bomba. Mas, após isso, o rapaz virou outra vez a cabeça para a frente, olhando pacificamente, como se continuasse sozinho.</p>
<p>            Helena sentiu-se ignorada. Pensou em ir embora, seria o mais óbvio, mas não o fez. Aproximou-se.</p>
<p>- Posso sentar-me aqui? – Perguntou, apontando com o indicador para o chão, ao lado rapaz.</p>
<p>            O rapaz lançou-lhe um olhar breve, respondendo simplesmente, “podes”. Helena ficou satisfeita por obter resposta, era a primeira vez que lhe ouvia a voz, esboçando um pequeno sorriso e sentando-se a seu lado.</p>
<p>- Eras tu que estavas a cantar? – Perguntou, com receio e curiosidade.</p>
<p>- E se fosse? – Respondeu com indiferença, sempre sem olhar para ela.</p>
<p>- Bem… Nada… Não tem nada de mal – Helena baixou os olhos – Posso perguntar-te porque estás aqui sozinho?</p>
<p>- Tu também estás.</p>
<p>            Exacto, Helena também estava, e devia saber que ao fazer uma pergunta dessas corria o risco de ser “obrigada” a confessar as suas razões por ali estar, e isso não lhe interessava.<span id="more-75"></span></p>
<p>- Se calhar estou-te a incomodar, é melhor ir-me embora – Helena levantou-se e ia começar a caminhar.</p>
<p>- Desde que não me faças perguntas, podes ficar.</p>
<p>- Está bem – Sentou-se – De qualquer forma não me apetece muito conversar.</p>
<p>            Longos minutos, quem sabe horas, permaneceram em silêncio. Até que o rapaz falou:</p>
<p>- Já se está a fazer tarde… Os teus pais não vão ficar preocupados?</p>
<p>            Helena olhou-o com ar aterrorizado, como se lhe tivessem tocado numa ferida, ainda muito recente, do coração.</p>
<p>- Disse alguma coisa que não devia?</p>
<p>- Não, não… É que, sabes, não tenho pais à minha espera, em casa…</p>
<p>- Então? – Virou-se mais para ela, parecendo interessado, até mesmo preocupado.</p>
<p>- Pensava que não gostavas de perguntas, ou, talvez, sejam só sobre ti – Fez um sorriso triste.</p>
<p>- Mais ou menos… Fazemos um acordo: Tu contas-me o que se passa e eu conto-te o que faço aqui, ok?</p>
<p>- Deixei de acreditar em promessas – O sorriso triste acentuou-se mais, tanto que parecia para conter as lágrimas que teimavam por sair – Mas tens razão numa coisa: Já é hora de me ir embora.</p>
<p>            Helena desapareceu por entre as densas árvores, sem sequer ter ouvido o rapaz chamar, gritando “espera!”.</p>
<p>            Passaram-se vários dias desde então, e Helena nunca mais foi à floresta. O rapaz não deixava de pensar nela, no que se poderia ter sucedido para ela ter fugido e aquela reacção. Assim, uma semana depois, enquanto o rapaz olhava para o sol, cobrindo um pouco os olhos com a mão, na floresta, Helena surgiu. Ao princípio, ele não notou a presença, só ao ouvir passos a pisar a relva é que se apercebeu. Ao vê-la, ficou perplexo: Helena estava pálida, magríssima, os olhos esbugalhados e vermelhos – Parecia um autêntico fantasma. O rapaz sobressaltou-se, levantando-se de um pulo:</p>
<p>- O que é que te aconteceu, miúda?! Não te via há dias e, agora, estás assim…</p>
<p>            Helena não lhe respondeu. Fisicamente estava ali, mas mentalmente não. Tinha um olhar vazio, distante.</p>
<p>- Hei, acorda! – O rapaz pôs-lhe as mãos nos ombros, abanando-a com alguma pressão – Olha – Soltou-a – Começo a sentir-me culpado… Tem a ver comigo, não tem? Tu ficaste muito triste da última vez que falámos.</p>
<p>- Não. O único ser que culpo, e odeio, é o mundo.</p>
<p>            Nesse momento, Helena contou finalmente a verdade. O seu pai, homem autoritário, sempre sério, de poucas palavras, tinha uma posição perante a vida não lá muito saudável – As aparências. Desde criança, Helena recordava-se de o seu pai dizer: “Não faças isso!”, “está quieta!”, “olha as pessoas, o que é que elas vão pensar?”. Além disso, aproveitava sempre uma oportunidade para julgar os outros: “Nunca me enganou…” repetia-o, vezes sem conta, mesmo que não fosse verdade ou a pessoa em causa estivesse inocente, com a sua voz rouca e firme. Mas, às vezes, aquilo que dizemos vira-se contra nós. Era esse o caso. Há relativamente poucos dias, Helena descobriu que o seu pai tinha um grande segredo. Ao vasculhar umas gavetas, necessitando de um documento, encontrou vários papéis antigos, entre eles um com a sua adopção. O choque. Helena compreendeu, ao ler, que a sua adopção tinha sido feita apenas por ele. Batia certo, já que nunca conhecera uma mãe. Ao ouvir o seu pai aproximar-se da porta, arrumou os papéis rapidamente na gaveta, quase amachucando-os, e retirou aquele que precisava. “O que estavas a fazer?” perguntou ele, com o seu tom desconfiado natural. “Já estava de saída. Era só isto.”, mostrando o documento. Helena não confrontou o seu pai com a verdade, apesar de ter sentido uma enorme vontade de o fazer. Nesse mesmo dia, à tardinha, por coincidência talvez, Helena deparou com o seu pai, sentado no sofá, vendo atentamente fotografias dela desde bebé até à actualidade, folheando as páginas cuidadosamente, com um brilhozinho nos olhos raro de ser ver. Mas ele não a viu, Helena abandonou rapidamente a sala e deslocou-se para o seu quarto. Ficou a olhar para as paredes brancas, depois para a janela, aproximando-se do parapeito e colocando os braços em cima, debruçando-se a olhar para baixo. Sentiu um aperto no coração. No entanto, esta situação não foi a pior. Alguns dias depois, de manhã, Helena acordou e estava completamente sozinha. Percorreu a casa toda, com a esperança de encontrar alguém, mas foi vão. Apenas encontrou um bilhete, que dizia assim:</p>
<p><em>“Querida Helena, tenho tanta coisa para te dizer, para te explicar, mas é tão complicado… Não sou capaz. Deve ser um cobarde. Sei que, quando estiveres a ler isto, já te apercebeste da dura realidade. Fui-me embora. Porquê? Porque cometi muitos erros, graves. Só me resta pedir-te desculpa, apesar de não ser o suficiente.</em></p>
<p><em>Adeus, minha filha.”<!--more--></em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p>- É impressionante como te aconteceu tudo isso num espaço de tempo tão curto… &#8211; Disse finalmente o rapaz, após um embaraçoso momento de silêncio quando Helena terminou de contar.</p>
<p>- Nem eu acredito… Ah, é verdade – Ela fez um pequeno sorriso, recordando-se de algo – Tu disseste que me contavas também a tua história, se te contasse a minha.</p>
<p>- Não te esqueceste. Está bem, cumpro sempre o que prometo. Mas, agora que a vou contar, parece irónico… Eu fugi de casa.</p>
<p>- Tu o quê?!</p>
<p>- Sim, vou-te explicar: Desde que a minha mãe morreu, há dez anos, o meu pai não teve mais ninguém, até agora. Há quase cinco meses conheceu uma mulher, bonita e aparentemente simpática, mas quando se mudou para nossa casa, mudou o seu comportamento completamente, pelo menos quando estava sozinha comigo e com o meu irmão mais velho. Primeiro, começou por mandar “bocas”, de que se acontecesse algo ao nosso pai ela iria certificar-se de ficar com tudo, nem que tivesse de pedir uns favorezinhos… Depois, chegou ao ponto de rasgar a própria roupa e partir objectos só para comprar novos. E por fim, a algumas semanas atrás, o meu irmão teve um acidente de mota. Ficou em coma. Sei que foi ela que o fez porque, nesse dia, enquanto estávamos no hospital para visitá-lo, ela sussurrou-me ao ouvido, assustadoramente gentil, “tu és o próximo”. Após isso, tive várias discussões com o meu pai por causa dela, contei-lhe o que se passava, mas ele não acreditou, e disse para me dar bem com ela, porque agora fazia parte da família. Ela ia assistindo a cada discussão como se fosse a primeira, atentamente, com uma grande satisfação no olhar e de triunfo. Assim, uma noite, por já estar farto de tudo, peguei nas minhas coisas e fugi. Neste momento estou bem longe…</p>
<p>- Desculpa, mas não consigo compreender. Apesar de tudo, é o teu pai! Podias tentar fazer um esforço, e não tens provas que tenha sido mesmo ela… Pode ter dito aquilo só para te assustar.</p>
<p>- Tu dizes isso porque não tens ninguém e infelizmente não o escolheste. Mas eu escolhi! Acredita que preferia mil vezes não ter família.</p>
<p>- Não sabes mesmo o que dizes… É sempre bom ter alguém.</p>
<p>- Mesmo que esse alguém nos queira matar?</p>
<p>- Tenho a certeza que o teu pai não o permitiria.</p>
<p>. Sim, sim. O que é que tu sabes da minha vida?</p>
<p>- E o que é que tu sabes da minha?</p>
<p>            Silêncio.</p>
<p>- Foste tu que me deste um encontrão no outro dia? – Helena quebrou o silêncio.</p>
<p>- Ah, sim. Eu vinha a correr, a fugir de um homenzito.</p>
<p>- Porquê?</p>
<p>- Porque tive de roubar comida, ou achas que vivo do ar? E tu também mais cedo ou mais tarde irás fazê-lo.</p>
<p>- Pois… Mas gostava que houvesse outra forma.</p>
<p>- Só se montássemos um negócio – Com um tom de brincadeira.</p>
<p>            Helena mirou-o com um olhar de expectativa, de esperança e de quem acabara de ter uma ideia brilhante.</p>
<p>- Não estás mesmo a pensar… Não, nem penses.</p>
<p>- Oh, vá lá!</p>
<p>- Temos dois problemas: O primeiro é que não sabemos de quê e o segundo é o mesmo de que falei à pouco… Não há dinheiro.</p>
<p>- O primeiro resolvo já! Hum…</p>
<p>- Então?</p>
<p>- Espera, estou a pensar!</p>
<p>- Não vais chegar a nenhuma conclusão…</p>
<p>- És sempre assim tão negativo?</p>
<p>- Dadas as circunstâncias… Nem sei como tu não estás.</p>
<p>            Helena ficou subitamente triste, como se por momentos estivesse abstraída da realidade e de repente despertasse para a solidão.</p>
<p>- Não disse isso para ficares triste, desculpa. Também estou nervoso com isto tudo e sinceramente não sei o que fazer. Calhava bem uma ajudinha…</p>
<p>- Tive uma ideia melhor – Disse alto, levantando-se de repente – Não temos de montar um negócio, podemos arranjar emprego numa loja!</p>
<p>- Sim, essa já é uma ideia mais realista.</p>
<p>            Os dois riram.</p>
<p>- Hei, esta parece fixe – Disse Helena.</p>
<p>- Disseste isso das últimas… &#8211; O rapaz contou pelos dedos – Sete lojas por que passámos.</p>
<p>- Não foi nada!</p>
<p>- Como queiras – Fez um gesto com a mão – Temos obtido a mesma resposta em todas, somos demasiado novos e acham que não iríamos conseguir.</p>
<p>- Além disso, não querem problemas com as autoridades… Se nos vissem a trabalhar eles iriam ter problemas. Ai… &#8211; Suspirou, parando à frente de uma loja, e o rapaz continuou a caminhar sem dar pela falta dela.<!--more--></p>
<p>            “Aaaaah!” de repente ouviu-se um grito, fino, aflitivo.</p>
<p>- O que foi?! – O rapaz deu meia volta a correr – Estás bem?</p>
<p>- Olha ali – Apontou para o interior da loja, no chão – Aquela velhota está desmaiada.</p>
<p>- Oh não… Só me faltava mais isto. Vamos mas é embora.</p>
<p>- Não! Temos de a ajudar.</p>
<p>- Já viste se aparece aqui alguém? Ainda pensam que fomos nós que lhe fizemos mal.</p>
<p>- Não pensam nada. Vá, ajuda-me aqui. Eu agarro-a deste lado e tu deste, ok?</p>
<p>- Continuo a achar que não é boa ideia.</p>
<p>            Sendo assim, ajudaram a senhora, segurando-a pelos braços. Levaram-na para o interior da loja. Ao entrarem mais a fundo, aperceberam-se que ligava à casa dela. À medida que passavam, Helena ia espreitando para as divisões. Encontraram então o que seria a sala. Colocaram-na no sofá, de pernas e braços estendidos ao longo do corpo.</p>
<p>- E agora…? – Perguntou o rapaz, baixinho, parecendo ainda um pouco atrapalhado – Talvez devêssemos ficar um pouco, até ela acordar, para não estar sozinha, e ver se necessita de alguma coisa.</p>
<p>- Afinal preocupas-te – Respondeu Helena, com um tom de brincadeira, dando-lhe uma pancadinha no braço.</p>
<p>- Oh… Já pensaste que podemos receber uma recompensa? – Piscou-lhe o olho.</p>
<p>            Helena ficou admirada a olhar para ele, não se tinha lembrado disso, e também compreendeu que o rapaz estava a brincar, só para não admitir que estava tão preocupado como ela.</p>
<p>            Ao fim de meia hora, já estavam fartos de esperar. Tanto se sentavam, como depois se punham em pé ou caminhavam pela sala. No meio desta impaciência, a senhora despertou.</p>
<p>- Ai a minha cabeça… Ah! – Assustou-se, ao ver que não estava sozinha, com dois desconhecidos em sua casa – Quem são vocês?</p>
<p>            “Nós…” começaram os dois em coro.</p>
<p>- Deixa-me ser eu a falar – Afirmou o rapaz, decidido.</p>
<p>- Está bem, está bem…</p>
<p>- Nós encontrámo-la desmaiada à porta da loja, trouxemo-la para dentro e…</p>
<p>- E estivemos este tempo todo à espera que acordasse! – Cortou Helena.</p>
<p>- Eu disse-te que era melhor deixares-me falar! – Rosnou o rapaz, ao seu ouvido, continuando a olhar para a senhora de relance, com ar simpático.</p>
<p>- Não combinámos nada disso! Porque tens de ser sempre tu a decidir tudo, ham? – Respondeu-lhe com o mesmo tom.</p>
<p>- Eu é que decido tudo?! Tu é que me obrigaste a trazê-la! – Elevou o tom.</p>
<p>- Pronto, minha senhora – Virou-se Helena para ela, com um enorme sorriso – Está tudo bem consigo, dói-lhe alguma coisa?</p>
<p>- Estou bem – A senhora riu-se, ao ver a discussão deles.</p>
<p>- Então vamos embora – Concluiu o rapaz.</p>
<p>            Porém, quando os dois caminhavam para a porta de saída a senhora chamou-os.</p>
<p>- Meninos, esperem – Sentou-se no sofá com esforço – Eu estava sozinha, de repente senti-me maldisposta, nem sei bem como foi, se não fossem vocês ainda estava para ali…</p>
<p>- Se não tivéssemos sido nós tinha sido outra pessoa qualquer… &#8211; Disse o rapaz.</p>
<p>- Insensível – Atirou Helena para o ar, olhando para o tecto, abanando a cabeça.</p>
<p>- Sim, é verdade – A senhora riu-se de novo – Mas eu acredito no destino, e se foram vocês que passaram naquele momento é porque já estava destinado.<!--more--></p>
<p>            Helena contemplou-a maravilhada por aquelas palavras, já o rapaz, não pareceu convencer-se muito.</p>
<p>- O que posso fazer para vos agradecer? – Perguntou a senhora com entusiasmo.</p>
<p>- Bem… &#8211; Começou Helena timidamente – Sabe de alguém que precise de dois lindos empregados como nós?</p>
<p>            O rapaz riu-se, dizendo baixo, “depois eu é que sou interesseiro”.</p>
<p>- Não conheço ninguém… &#8211; Os rostos esmoreceram – Mas eu posso ajudar-vos, podem ficar aqui, a trabalhar na minha lojinha.</p>
<p>            Helena abraçou a velhinha com muita força e ternura, ficando o rapaz a observar, imóvel, de longe.</p>
<p>            Seguiram-se os dias de trabalho, divertimento e companhia. Para eles era muito melhor estar ali, a passar o tempo, do que ver as paredes tristes de uma casa abandonada ou uma floresta fria e deserta. A Dona Matilde, a velhinha, era uma senhora muito simpática, estava sempre a perguntar-lhes se ia tudo bem. Ela não sabia que eles estavam sozinhos, mas talvez desconfiasse, porque de vez em quando, se sobrava comer da mercearia, ela oferecia-lhes.</p>
<p>            Depressa se habituaram à rotina, aos clientes do costume, às histórias “do meu tempo…” da Dona Matilde, à gata persa chamada Floco de Neve, e sobretudo à companhia que faziam uns aos outros. Notava-se que o rapaz estava mais aberto, apesar de continuar a ser desconfiado.</p>
<p>- Peço desculpa pelo atraso! – Anunciou Helena, entrando de rompante pela loja, cansada – Ainda por cima caí ao vir para cá… Vê, Dona Matilde? – Mostrou o seu joelho ferido.</p>
<p>- Vamos já tratar disso, minha querida.</p>
<p>            Foram as duas para o interior da casa, ficando o rapaz a espreitar, com curiosidade, sem pronunciar qualquer palavra.</p>
<p>            Voltaram.</p>
<p>- Chegueeeei – Disse Helena, sorrindo para o rapaz.</p>
<p>- Dói-te? – Perguntou, fazendo um gesto com o queixo para o joelho.</p>
<p>- Já não! A Dona Matilde tratou de mim.</p>
<p>- Está bem – Continuou a arrumar o que estava a fazer.</p>
<p>            Helena sorriu. Começou a arrumar com ele. Ao dar um passo, virando-se para trás, para agarrar uma coisa, esbarrou contra o rapaz. Ele segurou-a nos braços, a distância entre os seus corpos ficou cerca de um centímetro, os olhos cruzaram-se, os lábios quase se tocaram. Ficaram hipnotizados, a olhar um para o outro. O mundo não existia, os problemas não existiam. Só eles dois. De repente Helena despertou.</p>
<p>- Desculpa… Que desastrada! – Afastou-se, olhando para o chão – Vou pegar nisto – Agarrou então o objecto que tinha deixado cair, com o embate.</p>
<p>            Não respondeu. O rapaz continuou a observá-la com o mesmo encanto de quando os seus olhares se tinham cruzado.</p>
<p>            Passados dois dias, Helena anunciou uma novidade.</p>
<p>- Dona Matilde vi na televisão que na próxima terça-feira à noite vai haver uma chuva de meteoros! Podíamos ir juntos ver!</p>
<p>- Seria maravilhoso, querida! – Dona Matilde sorriu com o entusiasmo de Helena.</p>
<p>            Porém, no decorrer dessa semana, Dona Matilde sentia-se muito fraca, doente. Aproximava-se o dia tão desejado por Helena, o da chuva de meteoros. “Nesse dia ficamos os três a ver pela janela da casa da Dona Matilde, está bem?” Era o combinado. Nesse dia, de manhã, quando os dois chegaram para o trabalho, encontraram Dona Matilde deitada na cama.</p>
<p>- Que se passa? – Perguntou Helena alarmada, sentando-se de joelhos junto à cama.</p>
<p>- Estou muito doente, minha querida – A voz abafada.</p>
<p>- Mas vai ficar boa!</p>
<p>- Ouve, Oiçam-me os dois – Olhou para o rapaz – Provavelmente não estarei em condições para ver a chuva de meteoros logo à noite convosco. Se… Se me acontecer alguma coisa, quero que saibam que gosto muito de vocês!</p>
<p>- Oh Dona Matilde, que está a dizer?! – Os olhos de Helena ficaram cheios de lágrimas – Vai ver a chuva de meteoros connosco, então!</p>
<p>- Acalma-te lá, não estejas a enervar a Dona Matilde – O rapaz puxou-a, levantando-a de junto da cama.</p>
<p>            O resto do dia foi uma tortura. Helena e o rapaz estiveram na loja, como é habitual, mas sempre espreitando de esgueira para a porta ao lado, onde se encontrava Dona Matilde. Nesse dia, o ambiente na loja ficou marcado por um ar pesado, devastador, de mau presságio para todos aqueles que ali entravam.</p>
<p>            Chegou a noite. Dona Matilde levantou-se a custo da cama, apoiada pelos dois jovens. Puseram-se os três à janela, esperando pela chuva de meteoros.</p>
<p>- Está a começar! – Helena apontou para o céu.</p>
<p>- Que bonito… &#8211; Murmurou o rapaz.</p>
<p>            Dona Matilde contemplava o céu, sem nada dizer, apenas mergulhada na sua imensidão. Quando terminou a chuva, regressou à cama.</p>
<p>- Meninos, estou mesmo muito mal, por isso, quando eu desaparecer, não fiquem tristes. Lembrem-se: Olhem para o céu, para as estrelas, qualquer uma, e tentem encontrar-me. Eu estarei lá.</p>
<p>- Mas, mas… &#8211; Helena soluçava.</p>
<p>- Afinal, conseguimos vê-la, não foi Lena? Cumpri a minha promessa e vi a chuva de meteoros convosco.</p>
<p>            Dito isto, adormeceu. Adormeceu e não voltou a acordar. Um sono eterno, tranquilo.</p>
<p>            A partir desse dia, Helena e o rapaz tomaram conta da loja. Sabiam que Dona Matilde iria gostar de saber que estava cuidada e limpa como ela costumava fazer. Helena chorava, chorava muito sempre que entrava no quarto de Dona Matilde. O rapaz sabia-o, pelos seus olhos vermelhos, mas nunca perguntava nada. Acabaram por se mudar para lá, os dois, ficando Helena com o quarto e o rapaz com a sala.</p>
<p>            Um dia, quando já se tinha passado mais ou menos quatro meses desde a morte de Dona Matilde, o rapaz chegou à loja abatido.</p>
<p>- Que tens?</p>
<p>- O meu irmão apareceu cá, veio à minha procura e falámos.</p>
<p>- Ah… Então ele já acordou do coma!</p>
<p>- Sim, e saiu de casa também.</p>
<p>- Estou a ver…</p>
<p>- E quer que eu vá viver com ele… Para longe daqui.</p>
<p>- Ah…</p>
<p>- Vou ter de me ir embora.</p>
<p>- Vou ficar sozinha.</p>
<p>- Desculpa… E é já amanhã.</p>
<p>- Amanhã?! – Helena começou a chorar.</p>
<p>- Não me faças isto… Também vou ter saudades tuas. Esta é a última vez que nos vemos… Sabes, gosto muito de ti.</p>
<p>- Eu também.</p>
<p>            O rapaz começou a aproximar o seu rosto ao dela. Helena, ao pensar que ele lhe ia dar um beijo, fechou os olhos com muita força. O rapaz ficou a olhar para ela, sereno, dando-lhe um beijo na face. Helena abriu os olhos.</p>
<p>- Toma, para te lembrares de mim – Estendeu-lhe a mão.</p>
<p>- Uma túlipa?</p>
<p>- Sim. A primeira vez que nos vimos, na floresta, eu estava sentado junto a túlipas, e aliás, é a minha flor favorita.</p>
<p>- Não me vou esquecer.</p>
<p>            Foi a última vez que se viram. Helena ficou com a loja, casou e teve uma filha, e esta por sua vez uma neta.</p>
<p>- Avó, avó, que estás a fazer? – Perguntou Susana.</p>
<p>- Coisas antigas, filha… Olha, era isto – Mostrou-lhe um livro aberto, com uma túlipa em cima, murcha, muito murcha.</p>
<p>- Porque guardas essa flor?</p>
<p>- Lembra-me uma pessoa.</p>
<p>- Que giro, conheci há pouco tempo um senhor que me disse exactamente o mesmo. Ele disse que tinha voltado aqui à cidade passados mais de cinquenta anos, vê lá tu! E que ficou muito desiludido quando viu que o lugar onde era a floresta estava agora ocupado por habitações.</p>
<p>            Helena sorriu. O mesmo sorriso jovem, alegre.</p>
<p>- Como é que se chamava essa pessoa, avó?</p>
<p>- Curioso… Nunca lhe cheguei a perguntar o nome.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aninhacontos.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aninhacontos.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aninhacontos.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aninhacontos.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aninhacontos.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aninhacontos.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aninhacontos.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aninhacontos.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aninhacontos.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aninhacontos.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aninhacontos.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aninhacontos.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aninhacontos.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aninhacontos.wordpress.com/75/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=75&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Futuro</title>
		<link>http://aninhacontos.wordpress.com/2010/07/05/futuro/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 11:23:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anapink</dc:creator>
				<category><![CDATA[Não classificado]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda me lembro de quando avistava o futuro, pela janela, olhando o infinito céu. Pensava em tudo o que poderia fazer, no que me iria tornar. Mas esse futuro longínquo passou. Hoje, é o meu presente, e foi o meu passado.             Vejo que nada é como imaginava.             Os anos seguiram, os meses, dias, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=71&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda me lembro de quando avistava o futuro, pela janela, olhando o infinito céu. Pensava em tudo o que poderia fazer, no que me iria tornar. Mas esse futuro longínquo passou. Hoje, é o meu presente, e foi o meu passado.</p>
<p>            Vejo que nada é como imaginava.</p>
<p>            Os anos seguiram, os meses, dias, horas… O futuro é muito relativo. Até mesmo o próximo minuto será o futuro.</p>
<p>            A eterna ignorância sobre o que vai acontecer. Sem uma pista, algo que me guie neste labirinto às escuras.</p>
<p>            No entanto ainda me consigo ver, num misto de passado e presente, que me clareiam as inúmeras possibilidades e a melhor escolha.</p>
<p>            Quem diria… Quem diria que eu iria estar a escrever isto neste momento? Ou o simples facto de estar onde estou, com quem estou.</p>
<p>            Às vezes, tenho premonições. Consigo calcular o que se vai suceder pelo resultado de uma situação anterior.</p>
<p>            Mas tudo isto é divagar. Ninguém realmente sabe o futuro, apenas pode estar perto dele, ou dentro dele sem saber. Para mim, estar dentro do futuro significa uma mudança, uma rampa de lançamento nas nossas vidas. Para o melhor ou o pior, o futuro serve para substituir tudo o que aconteceu até então.</p>
<p>            Há quem diga que queira parar o tempo, ou avançá-lo. Eu não, só quero que ele flua de maneira natural. Vou crescer, notar em mim diferenças de dia para dia, saber que alguém me espera, acordar com um sentido para seguir em frente, sentir a chuva na minha pele… Tudo isto são sensações. Sensações que o vento leva, mas o futuro traz de volta.</p>
<p>            Um espelho. Estou agora a olhar para um. Talvez seja o reflexo da alma, de um lago, de um toque puro no vidro. Estou a percorrer todo o seu comprimento com o indicador, de cima para baixo, suavemente como uma carícia na pele de um bebé. Mas algo inesperado aconteceu. Emergiu do seu interior uma luz forte, brilhante, até me atrevo a dizer dourada. O espelho tornou-se num mar cheio de ondas bravas, onde precipitadamente entrei.</p>
<p>            Não consigo ver nada, a luz é demasiado intensa. À minha roda só vejo sombras, a perseguirem-me, a agarrarem-me. Elas querem-me prender, mas eu não deixo, sei que sou mais forte que elas. E agora que me libertei das sombras continuo a caminhar em frente, em que me parece ver qualquer coisa. Uma porta? É, é uma porta. Que fará num sítio como este? Não faço a mínima ideia, mas estou a abri-la, vou descobrir. O que é isto, a minha cidade? Reconheço algumas características mas… É como se tivessem passado uns bons anos…</p>
<p>            Continuo a caminhar, sem rumo, sem medo, com o intuito de chegar a algum lugar. Eu sei que onde quer que esteja vou sempre encontrar o meu lar, um sítio onde me sinta bem. Basta um objecto simbólico que me recorde da infância, da nostalgia de felicidade que tive naquela época e sei que se repetirá.</p>
<p>            Contemplo perante mim uma árvore. Enorme, esplendorosa, com um tronco e ramos fortes, uma estrutura inabalável e poderosa, parecendo alcançar a outra ponta do mundo.</p>
<p>            Atravessei o passeio. O mesmo que eu pisara em tempos, aquele que eu pisava agora, e o mesmo que pisava no futuro. O caminho turbulento da vida.</p>
<p>            Se aquele era o futuro, tal como parecia ser, não era o que as pessoas costumavam dizer. Não tinha objectos a flutuar, nem a Natureza desapareceu. Embora não sei em que época estou, o que dificulta a minha noção de quanto evoluiu o mundo.</p>
<p>            Agora, vejo borboletas. A primeira vez em que tal vi belas criaturas. Esvoaçantes, livres, coloridas e no entanto tão delicadas… Lembro-me de mim própria, e da vida, que é frágil e insignificante no fim de contas. Esses insectos esperam, para sair do casulo, pela sua transformação e o futuro, mas logo termina a sua viagem de forma fatal.</p>
<p>            Magia. Vocês acreditam? Eu acredito nela, mas nunca pensei que existisse no sentido literal da palavra. Agora acredito. Neste momento vejo o espectáculo mais bonito da minha vida, o nascimento de novas espécies, de novas borboletas a saírem e rasgarem o casulo que as prende. Elas voam. Voam como se não houvesse amanhã, como se voar dependesse das suas vidas, fazendo-o com toda a intensidade.</p>
<p>            A magia existe não para quem a quer ver, mas para quem acredita, e vê nas pequenas coisas algo de extraordinário.</p>
<p>            A minha busca continua. Sinto como se tivesse renascido, e este caminho fosse a vida. Deparo-me com obstáculos, etapas, pessoas, situações… Mas não paro. Parar significaria desistir.</p>
<p>            Vejo ao longe uma pessoa. É uma rapariga, tenho quase a certeza. Mas está de costas, sentada num banco, não lhe consigo ver o rosto. Estou a aproximar-me. Ela levantou-se. Está a conversar com duas raparigas que acabaram de chegar. Eu conheço-as muito bem, principalmente a primeira. Mas quem serão?</p>
<p>            As duas raparigas foram-se embora e a primeira voltou a sentar-se. Agora, tirou da mala um bloco e caneta. Parece que está a escrever.</p>
<p>            Aquela silhueta… A concentração e firmeza com que escreve é-me tão familiar…</p>
<p>            O que… O que está a acontecer?! Está a desaparecer tudo! O meu corpo está a ficar transparente!</p>
<p>            Voltei. Ao presente creio eu. Estou de novo em frente ao espelho. Será que aquela rapariga era eu? Ficarei para sempre na dúvida… Para sempre não, no futuro saberei.</p>
<p>            Aconteça o que acontecer, não quero deixar de escrever. Um dia, quero alcançar os corações das pessoas com as minhas palavras, e no momento em que isso aconteça, a minha missão estará cumprida.</p>
<p>            Quero juntar o melhor dos três mundos e torná-lo num só: Um presente sem limite, uma linha sem tempo.</p>
<p>            Regressar à inocência de uma criança, em que não tem noção do tempo, apenas pensando no dia de amanhã. É tudo o que quero.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aninhacontos.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aninhacontos.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aninhacontos.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aninhacontos.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aninhacontos.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aninhacontos.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aninhacontos.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aninhacontos.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aninhacontos.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aninhacontos.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aninhacontos.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aninhacontos.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aninhacontos.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aninhacontos.wordpress.com/71/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=71&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Reflexão de uma mente confusa</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 12:40:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anapink</dc:creator>
				<category><![CDATA[Não classificado]]></category>

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		<description><![CDATA[Aquela pessoa que eu conheço, já faz algum tempo, sempre me incomodou, quer dizer, é alguém bastante familiar mas ao mesmo tempo não a compreendo. Às vezes parece que tem dupla personalidade. É alguém que não sabe o quer, nem de onde vem. Talvez seja difícil falar com uma pessoa assim, além do mais quando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=66&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aquela pessoa que eu conheço, já faz algum tempo, sempre me incomodou, quer dizer, é alguém bastante familiar mas ao mesmo tempo não a compreendo. Às vezes parece que tem dupla personalidade. É alguém que não sabe o quer, nem de onde vem. Talvez seja difícil falar com uma pessoa assim, além do mais quando é nossa amiga.</p>
<p>   Talvez, nos demos tão bem por sermos parecidas. Quem sabe se também eu não serei estranha.</p>
<p>  Desde que a conheço que faz e pensa sempre coisas diferentes dos outros, como se fosse mais velha, alguns anos. Ao início, ela não se apercebia disso, era criança, ingénua, para ela era normal. Mas, com o passar dos anos, tudo começou a mudar.</p>
<p> As pessoas não queriam saber, nem dela, nem do resto do mundo. Cada parte de nós é uma parte do mundo, por isso, para eles tanto fazia o que se passava ou deixava de passar.</p>
<p> Ela tornou-se numa pessoa frustrada, fechada em si mesma, com ódio pelo mundo. O mundo que tanto adorou em tempos, e que a fascinava. Muitas vezes, os nossos melhores sonhos viram-se contra nós.</p>
<p> Durante anos, dias sem fim, horas… A vida foi monótona, solitária, injusta para com ela. Tentou mudar, mas todas as tentativas foram em vão. Nada mudou. A vida dela não mudou. Pelo menos era o que pensava.</p>
<p> O mundo gira, sem parar, se calhar é por isso que andamos sempre a correr e não paramos para pensar um bocado. Porém, nós podemos tentar abrandá-lo.</p>
<p>”O meu sonho é demasiado pesado para mim, por isso imagino apenas que voo, já que não posso voar.” Ela dizia-me isto muitas vezes, e nunca percebi bem o que significava, mas agora sei. Quando nos cortam as asas, ou sobrecarregam-nos com algo que não tem nada a haver connosco, é isto que acontece: Imaginamos.</p>
<p> Não digo que a imaginação seja um inimigo, pelo contrário, adoro-a. E ela também, ajudou-a em momentos muito difíceis. A imaginação existe, apesar de não a sentir-mos, podemos vê-la, contemplá-la. Cada um de nós tem uma imaginação única, que mais ninguém consegue alcançar. É como um cofre fechado, bem longe daqui.</p>
<p>Essa minha amiga tinha uma imaginação invulgar, conseguia inventar histórias que nunca antes ouvi. Pediu-me que escrevesse isto, que contasse a sua própria história, quando podia ter sido ela a fazê-lo, talvez porque não se sentisse à vontade.</p>
<p>Ela afirma que foi a sua imaginação que a salvou. Impediu-a de ficar triste, avançar, e esperar que melhores dias viessem. Talvez foi por isso, que passado tanto tempo, alcançou o seu grande sonho, que afinal, não era tão pesado quanto isso. A vida surpreendeu-a, deu-lhe uma segunda oportunidade para acreditar nos outros. E que sonho era esse? Ter amigos. Nada mais simples, não é? Depende do ponto de vista, e de quem deseja.</p>
<p>As coisas mudaram, ela mudou. Aos poucos, tornou-se na pessoa que sempre quis ser. As feridas ainda não sararam por completo, eu sei, mesmo quando ela me diz que sim.</p>
<p>Pode levar anos, mas a alma cura-se, através de muita paciência e empenho.</p>
<p>As mentes mais confusas são por vezes aquelas que têm maior talento e menor compreensão. E seremos sempre insatisfeitos, porque a vida não é como a nossa imaginação. Nem da nossa, nem de ninguém.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aninhacontos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aninhacontos.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aninhacontos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aninhacontos.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aninhacontos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aninhacontos.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aninhacontos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aninhacontos.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aninhacontos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aninhacontos.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aninhacontos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aninhacontos.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aninhacontos.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aninhacontos.wordpress.com/66/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=66&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Ilusão</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 14:43:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anapink</dc:creator>
				<category><![CDATA[Não classificado]]></category>

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		<description><![CDATA[Um sonho. Um sonho que nunca se repete. Sempre diferente, real, enublado. Porém, as paisagens são as mesmas e as pessoas. Existem fases. Nesse sonho já encontrei inúmeras coisas. Neste momento, estou numa fase transitória, eu sinto. Mas há certas situações que me são familiares, apesar de nunca terem aparecido no sonho antes. O pior, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=63&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um sonho. Um sonho que nunca se repete. Sempre diferente, real, enublado. Porém, as paisagens são as mesmas e as pessoas.</p>
<p>Existem fases. Nesse sonho já encontrei inúmeras coisas. Neste momento, estou numa fase transitória, eu sinto. Mas há certas situações que me são familiares, apesar de nunca terem aparecido no sonho antes.</p>
<p>O pior, é quando o sonho se torna num pesadelo. Acontece muitas vezes. O cenário modifica-se, fica frio e escuro; triste. Depois, há momentos em que o sol brilha, bem alto, em que estou no topo de uma montanha.</p>
<p>O mais estranho é quando acontecem coisas que eu não programei, que aconteceram por si só. Faz-me sentir que o sonho não é meu, mas de outra pessoa qualquer.</p>
<p>Sabem o que é melhor? Lutarmos, enfrentar batalhas e ganhar. Não há nada mais gratificante. E às vezes dão cá uma volta… As batalhas infindáveis também se tornam em vitórias, com sorte, e ficamos a pensar que tudo valeu a pena. Damos por nós a pensar o quanto ridículo era a ideia de desistir.</p>
<p>Nuvens. Quase que as sinto, quase que as toco nos meus sonhos. Mas não chego, não consigo alcançar o irreal, o que é frustrante. Apesar de este sonho ser quase perfeito falta um elemento, um complemento chave. Procuro nos cantos às apalpadelas, em todo o tamanho que o meu sonho tem. Ele é tão grande… Como o meu coração, como o mundo inteiro. Mas esse elemento não se quer mostrar, está bem escondido desde sempre.</p>
<p>Sempre. É uma palavra tão forte, não é? Para mim não representa algo que não acaba, porque isso não existe. É mais uma lentidão que custa a passar e dura até ao inimaginável. Se vocês pudessem, muito honestamente, fariam o vosso sonho parte desse universo? Sim, todos nós temos um sonho, cada um diferente e especial.</p>
<p>Acordar. Será que alguma vez acordei desse sonho? Ou irei algum dia acordar… Tenho medo que acabe, mas ao mesmo tempo curiosidade. Quando entrei, qual foi o momento que o vi pela primeira vez? Não me recordo, parece que sempre estive lá.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aninhacontos.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aninhacontos.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aninhacontos.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aninhacontos.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aninhacontos.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aninhacontos.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aninhacontos.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aninhacontos.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aninhacontos.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aninhacontos.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aninhacontos.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aninhacontos.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aninhacontos.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aninhacontos.wordpress.com/63/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=63&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Boneco de neve</title>
		<link>http://aninhacontos.wordpress.com/2009/12/21/boneco-de-neve/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Dec 2009 17:14:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anapink</dc:creator>
				<category><![CDATA[Não classificado]]></category>

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		<description><![CDATA[Há muito tempo atrás, um boneco de neve permanecia todos os natais no mesmo lugar, sem se derreter. Parecia quase impossível como ele era o único que não derretia, passando anos e anos. Ao longo desse tempo, ele observava as diferentes gerações de crianças que o rodeavam e brincavam à sua volta. E o engraçado, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=59&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há muito tempo atrás, um boneco de neve permanecia todos os natais no mesmo lugar, sem se derreter. Parecia quase impossível como ele era o único que não derretia, passando anos e anos.</p>
<p>Ao longo desse tempo, ele observava as diferentes gerações de crianças que o rodeavam e brincavam à sua volta. E o engraçado, é que apesar de serem sempre pessoas e épocas diferentes, as brincadeiras pouco variavam.</p>
<p>No dia de natal, já era tradição as pessoas reunirem-se ao pé daquele boneco de neve. Diziam que era um milagre, uma entidade natalícia que os protegia durante o rigoroso inverno.</p>
<p>O boneco de neve adorava o natal, e a festa que as pessoas faziam, mas tudo isso terminava depressa. Só durante dois dias, uma vez por ano, assistia àquele espectáculo. O resto do ano passava despercebido, ninguém ligava ao bonequinho em tempo de calor.</p>
<p>Porém, um natal, três meninas pararam junto ao boneco de neve e olharam-no fixamente. Parecia que estavam à espera que ele dissesse alguma coisa, ou falasse. Então ele pensou: “Mas que estão elas a fazer? Eu não falo, não me consigo mexer… Mas penso. Sim, eu penso. Sinto. E sinto-me sozinho.”</p>
<p>Uma das meninas abraçou-o. Embora a neve estivesse extremamente fria, ela abraçou-o como a um ser humano.</p>
<p>A neve começou a derreter. Foram como lágrimas a descongelar, um coração gélido a aquecer.</p>
<p>Por baixo daquele monte de neve saiu um anjo. Um lindo anjo que esteve anos sem conta escondido por baixo da espessa neve branca. Ele voou, rodopiou, seguiu, e desapareceu para bem longe.</p>
<p>Aos poucos, começaram a cair flocos de neve, e as três meninas ficaram satisfeitas a admirar a paisagem fria e branquinha. Afinal, o natal serve para demonstrarmos a amizade uns pelos outros, não é verdade?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aninhacontos.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aninhacontos.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aninhacontos.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aninhacontos.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aninhacontos.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aninhacontos.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aninhacontos.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aninhacontos.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aninhacontos.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aninhacontos.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aninhacontos.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aninhacontos.wordpress.com/59/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aninhacontos.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aninhacontos.wordpress.com/59/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=59&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Metamorfose</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 15:41:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anapink</dc:creator>
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		<description><![CDATA[            Ele continuava a jogar basquetebol. Dias sem parar, como o fazia há anos. Os seus movimentos eram rápidos, passava a bola de uma mão para a outra com uma facilidade enorme, parecendo que deslizava. Mas quando encestava é que voava, sim, voava literalmente. Ele transmitia uma sensação de liberdade e alegria para todos que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=56&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>            Ele continuava a jogar basquetebol. Dias sem parar, como o fazia há anos. Os seus movimentos eram rápidos, passava a bola de uma mão para a outra com uma facilidade enorme, parecendo que deslizava. Mas quando encestava é que voava, sim, voava literalmente. Ele transmitia uma sensação de liberdade e alegria para todos que o viam.</p>
<p>            Não fazia mais nada, para além de ir às aulas claro, era a sua única dedicação a tempo inteiro. Admirado por todos, e umas notas razoavelmente boas, tinha tudo para ser feliz. Mas não o era.</p>
<p>            Apesar de aparentar uma personalidade descontraída, isso apenas acontecia enquanto jogava, depois disso, voltava sozinho para casa e ali permanecia, à espera que os pais chegassem. Tinha o seu irmão mais velho, é verdade, porém não lhe servia de grande companhia; digamos que feitios parecidos não se entendem.</p>
<p>            A rotina pode ser algo positivo, mas não quando ela nos atraiçoa e faz desejar trocarmos de vida com outra pessoa qualquer.</p>
<p>            Todos os dias, de manhã, Ele cruzava-se no caminho com vários colegas, e uma rapariga que virava sempre numa esquina à direita, enquanto Ele seguia em frente. Durante esse caminho, que parecia interminável, os seus passos ecoavam no silêncio, caminhando devagar, preparando-se para outro dia igual: As mesmas pessoas, as mesmas conversas, o mesmo “bom dia” neutro que ninguém lhe apetece dizer, e as mesmas aulas que não levavam a lado nenhum; apenas para marcar presença.</p>
<p>            Ela, naquele caminho em que virava sempre à direita, ia rodeada de amigas. Pessoas simpáticas é certo, mas muito superficiais, sem noção do que realmente queriam fazer da vida, e a ignorância de que uma roupa cara faz uma rapariga ser uma pessoa melhor. Ela apenas ouvia, sorria, e respondia com frases curtas; porque tinha receio que percebessem que metade das coisas nem ouvira. Ela, coitada, representava constantemente, para mostrar que era “uma delas”.</p>
<p>            Após chegarem à escola, dispersavam-se, reunindo-se nos grupinhos do costume.</p>
<p>            Ela achava-se feliz, mesmo sabendo que tudo era teatro, e as pessoas não lhe ligavam assim tanta importância como queriam fazê-la crer.</p>
<p>            Quando Ela saía das aulas, ia até ao ginásio da escola, para admirar de longe a equipa de basquetebol. Mas logo voltava para casa, pensando que aquele lugar não lhe pertencia.</p>
<p>            Porém, um dia, decidiu ficar a assistir a um treino. Até que a bola rolou junto a si, aos seus pés. Fitou-a com um olhar surpreendido, indecisa se deveria apanhá-la ou não. Um rapaz aproximou-se dela, e quando Ela a ia agarrar, eles tocaram-na ao mesmo tempo.</p>
<p>            Dois mundos cruzaram-se. As borboletas solitárias encontraram-se uma à outra.</p>
<p>- Onde já te vi? – Perguntou Ele.</p>
<p>- Não sei, mas sinto que te vi quase a minha vida toda.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aninhacontos.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aninhacontos.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aninhacontos.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aninhacontos.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aninhacontos.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aninhacontos.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aninhacontos.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aninhacontos.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aninhacontos.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aninhacontos.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aninhacontos.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aninhacontos.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aninhacontos.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aninhacontos.wordpress.com/56/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=56&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Para além daquilo que se vê</title>
		<link>http://aninhacontos.wordpress.com/2009/10/29/para-alem-daquilo-que-se-ve/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 20:14:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anapink</dc:creator>
				<category><![CDATA[Não classificado]]></category>

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		<description><![CDATA[A noite As sombras Lua Escuridão Um nevoeiro abençoado Que não deixa ver nada Nem sequer a minha mão Aquele reflexo no céu tem continuado E parece o mar na terra Quero afundar-me nele Encontrar, algo mais para além daquela serra<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=52&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A noite</p>
<p>As sombras</p>
<p>Lua</p>
<p>Escuridão</p>
<p>Um nevoeiro abençoado</p>
<p>Que não deixa ver nada</p>
<p>Nem sequer a minha mão</p>
<p>Aquele reflexo no céu tem continuado</p>
<p>E parece o mar na terra</p>
<p>Quero afundar-me nele</p>
<p>Encontrar, algo mais para além daquela serra</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aninhacontos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aninhacontos.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aninhacontos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aninhacontos.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aninhacontos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aninhacontos.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aninhacontos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aninhacontos.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aninhacontos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aninhacontos.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aninhacontos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aninhacontos.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aninhacontos.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aninhacontos.wordpress.com/52/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aninhacontos.wordpress.com&amp;blog=5924103&amp;post=52&amp;subd=aninhacontos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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